Internacional

Governo da Flórida pede prisão de Raúl Castro por ataque de 1996 em Cuba

Dois caças cubanos derrubaram, há trinta anos, aeronaves de organização que ajudava migrantes a chegarem aos EUA

3 min

19/10/2026 16:53 • Atualizado há 5 horas

Governo da Flórida pede prisão de Raúl Castro por ataque de 1996 em Cuba

A Promotoria do estado da Flórida, nos Estados Unidos, anunciou nesta segunda-feira (19/10) ter apresentado um mandado de prisão contra Raúl Castro, ex-presidente de Cuba. Ele é acusado de conspiração para cometer homicídio em primeiro grau em 1996, quando caças cubanos derrubaram duas aeronaves civis desarmadas da organização Hermanos al Rescate.

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Os quatro ocupantes das aeronaves morreram no ataque contra a entidade, que atuava no auxílio a cubanos tentando chegar à Flórida em embarcações precárias.

"Raúl Castro ordenou o assassinato de quatro moradores da Flórida a sangue-frio, e a Flórida nunca deixará de buscar justiça", declarou o procurador-geral do estado, James Uthmeier, durante entrevista coletiva.

Permanece incerto se Raúl algum dia comparecerá diante de um tribunal para responder à acusação. Uthmeier afirmou que o mandado de prisão limitará a capacidade do ex-líder cubano de deixar a ilha e impedirá sua entrada em países que mantenham acordos de extradição com os EUA.

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O caso de 1996

Em 24 de fevereiro de 1996, três aeronaves Cessna desarmadas decolaram do Aeroporto de Opa-Locka, no condado de Miami-Dade. Segundo a acusação, quando já se encontravam muito além das águas territoriais cubanas, dois caças MiG de Cuba destruíram duas das aeronaves civis com mísseis ar-ar.

A terceira aeronave, na qual estava o líder da organização, José Basulto, conseguiu escapar por pouco. Os aviões caíram em águas internacionais. Na época, Raúl, hoje com 95 anos, ocupava o cargo de ministro da Defesa de Cuba.

De acordo com autoridades americanas, as duas aeronaves estavam se afastando de Cuba e não receberam qualquer aviso prévio, apesar de manterem contato com o controle de tráfego aéreo de Havana. A denúncia apresentada pela Flórida argumenta que Raúl teria dado a autorização final para o abate das aeronaves.

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Ainda segundo com a acusação, agentes da Diretoria de Inteligência de Cuba que atuavam como integrantes da chamada Rede Vespa, na região de Miami e nos Cayos da Flórida, infiltraram-se na Hermanos al Rescate e repassaram informações sobre os planos de voo das aeronaves aos serviços de inteligência cubanos, afirmaram os investigadores.

Raúl assumiu a Presidência de Cuba em 2006, substituindo o irmão mais velho, Fidel Castro, então debilitado por problemas de saúde. Em 2018, transferiu o poder para um aliado de confiança, Miguel Díaz-Canel.

Cuba vê "manobra política"

A acusação da promotoria da Flórida se baseia em grande parte numa denúncia federal formalizada em maio deste ano, que incluiu acusações de homicídio e destruição de aeronave.

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O procurador federal do Distrito Sul da Flórida, Jason Reding Quiñones, afirmou que o governo federal "está ao lado da Flórida na busca por justiça para os quatro cidadãos americanos mortos na derrubada" das aeronaves.

Já o presidente Díaz-Canel classificou a denúncia federal apresentada neste ano como uma "manobra política" cujo objetivo seria apenas "justificar a insensatez de uma agressão militar contra Cuba". Ele acusou os Estados Unidos de mentir e manipular os acontecimentos relacionados à derrubada das aeronaves.

Embora tenha deixado, em 2021, o cargo de primeiro-secretário do Partido Comunista de Cuba, muitos analistas acreditam que Raúl continue exercendo influência significativa nos bastidores da política cubana. Essa percepção é reforçada pela projeção de seu neto, Raúl Guillermo Rodríguez Castro, em círculos próximos ao poder.

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, vem ameaçando uma ação militar contra Cuba desde que forças americanas capturaram em janeiro o ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro, considerado durante anos um dos principais aliados do governo cubano.

Desde então, a Casa Branca determinou um bloqueio que interrompeu o envio de combustíveis para Cuba, provocando apagões severos, escassez de alimentos e um colapso econômico em diferentes partes da ilha.

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