Governo é pego de surpresa com PCC e CV como terroristas em mais 14 países
O Brasil está avaliando a declaração emitida pelo grupo chamado “Escudo das Américas”
O governo brasileiro foi pego de surpresa pela adesão de países latino-americanos à decisão dos Estados Unidos de classificar organizações ligadas ao narcotráfico como terroristas. A medida inclui as facções brasileiras PCC e Comando Vermelho. O Brasil está avaliando a declaração emitida pelo grupo chamado “Escudo das Américas”.
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Pelo menos 14 países do grupo assinaram a medida de Trump. Entre eles, Argentina, Chile, Colômbia, Peru, Bolívia e Paraguai. O governo americano reuniu os líderes aliados em Nova York, paralelamente à Assembleia Geral da ONU.
A movimentação ocorre logo após o discurso do presidente Lula na Assembleia Geral das Nações Unidas. Lula afirmou que o Brasil está preparado para combater organizações criminosas e que não vai terceirizar a responsabilidade de defender as fronteiras brasileiras. O presidente também disse que a região não precisa de porta-aviões vigiando suas águas, mas de cooperação para combater o fluxo de armas e dinheiro que abastece o crime.
Logo depois, Trump discursou no plenário da ONU. O presidente americano prometeu usar a força militar contra os cartéis de drogas e classificou esses grupos como o “Estado Islâmico do Hemisfério Ocidental”.
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O combate às drogas tem se tornado uma pauta cada vez mais forte no mundo. Os Estados Unidos também usam essa questão para ampliar sua influência na região. O problema, porém, existe, cresce e é grave.
A decisão dos países do chamado “Escudo das Américas” de aderir à política do governo Trump representa um revés para a política externa brasileira. Lula, que sempre almejou exercer um papel de liderança na região, agora se vê diante de um cenário em que o Brasil tem sido deixado de lado nas decisões latino-americanas. Isso ocorre em um ambiente geopolítico no qual a direita predomina hoje nas Américas.
O Brasil, como Estado, precisa tomar as rédeas do combate ao narcotráfico, um assunto suprapartidário. Essas organizações hoje fazem parte da economia real. Sua atuação se estende aos setores de transporte, distribuição de combustíveis e serviços. Na região amazônica, o crime já circula livremente por uma área extensa. As facções também se infiltraram nas instituições brasileiras, um cenário grave.
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O Brasil vem intensificando o combate ao crime organizado. As ações da Polícia Federal buscam asfixiar financeiramente essas organizações em diversos setores, inclusive em casos que envolvem políticos. Essas ações, porém, ainda estão aquém do necessário e deixam o país vulnerável a todo tipo de pressão, inclusive externa.
