Internacional

Lula aponta “crise de liderança” na ONU: “Sentimento é de indignação"

Em discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a organização vive uma "profunda crise de

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22/09/2026 12:13 • Atualizado há 6 horas

Em discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a organização vive uma "profunda crise de liderança", declarou que sua credibilidade "nunca esteve tão baixa" e disse que o "sentimento que o move é o da indignação" diante da incapacidade de livrar a humanidade da guerra.

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Ao abrir sua intervenção, Lula classificou o atual momento como "o mais crítico" para as Nações Unidas e acusou a instituição de falhar em uma de suas missões centrais: "livrar a humanidade do flagelo da guerra'. Segundo ele, a capacidade da ONU de proteger os mais vulneráveis, "os que não têm exército nem arsenais", nunca foi tão pequena.

"Vivemos o momento mais crítico das Nações Unidas. O sentimento que me move hoje é o da indignação. A ONU está falhando em uma das suas missões mais elevadas, a de livrar a humanidade do flagelo da guerra. Sua credibilidade nunca esteve tão baixa. Sua capacidade de proteger os mais vulneráveis, os que não têm exército nem arsenais, nunca foi tão pequena. Somos todos reféns do imobilismo de um Conselho de Segurança que não cumpre o seu papel. Em 1946, já na primeira sessão desta Assembleia, o Brasil alertava para o alto preço que a comunidade internacional pagaria pelo direito de veto."

Segundo Lula, o problema está na estrutura de poder. Ele afirmou que "esse vício de origem da Carta da ONU conferiu às grandes potências o privilégio da insensatez" e que "a esse pecado original soma-se agora uma profunda crise de liderança", em um cenário que ele descreveu como mais perigoso desde a Segunda Guerra.

"O ano de 2025 registrou o maior número de conflitos armados desde a Segunda Guerra Mundial. Trilhões de dólares financiam uma nova corrida armamentista. Tensões geopolíticas ameaçam transformar confrontos regionais em uma conflagração de proporções globais. Os que detêm as rédeas das decisões cruciais devem atuar com responsabilidade e sentido de urgência. Os líderes dos países que integram o Conselho de Segurança precisam se reunir."

Guerra como "falência total da política"

Na visão do presidente, o atual quadro de confrontos exige nova postura das grandes potências. Lula disse que "isto não é idealismo, é o mais puro realismo" e afirmou que "a guerra não é a continuação da política por outros meios, é a falência total da política", defendendo uma liderança que pense além das fronteiras nacionais.

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"Não desconheço as realidades do poder, mas as concessões à lei do mais forte já passaram dos limites. A guerra não é a continuação da política por outros meios, é a falência total da política. No mundo interdependente, liderar é conciliar o interesse da pátria com o da humanidade. Essa é a constatação de alguém que representa uma nação amante da paz e da liberdade."

Lula pede que ONU volte a ser "templo da paz"

Apesar das críticas, o presidente destacou contribuições históricas das Nações Unidas. Ele lembrou que "a ONU nasceu sob o signo da esperança" e citou avanços em descolonização, direitos humanos e desenvolvimento sustentável, além da proteção a migrantes e refugiados.

"A ONU nasceu sob o signo da esperança. Ao longo de oito décadas, contribuiu com a descolonização, promoveu os direitos humanos e apoiou o desenvolvimento sustentável. Protegeu imigrantes e refugiados, condenou o racismo, o antissemitismo e a intolerância religiosa. Essas foram conquistas de lideranças que ocuparam este cargo, este pódio, movidas pela indignação diante das injustiças de seu tempo. Homens e mulheres que se recusaram a aceitar a guerra como destino, o colonialismo como direito, o apartheid como sistema legítimo. Foi dessa capacidade de dizer não às desigualdades que nasceram algumas das maiores transformações que vivemos."

Diante daquilo que chamou de "paralisia das Nações Unidas", Lula afirmou que "precisamos reencontrar a vontade política para que volte a ser o templo da paz", em apelo direto aos líderes que ocupam assentos no Conselho de Segurança e comandam o sistema multilateral.

Assista à íntegra do discurso: