Internacional

Macron critica Israel e Trump e defende 'direito à vida' de palestinos

Presidente francês fez discurso efusivo ao defender medidas mais contundentes para interromper ataques na Faixa de Gaza

3 min

22/09/2026 22:48 • Atualizado há 3 horas

Macron critica Israel e Trump e defende 'direito à vida' de palestinos

O presidente da França Emmanuel Macron atacou a atuação do governo dos Estados Unidos diante da tragédia humanitária em Gaza, em decorrência de ataques de Israel na região, que miram o Hamas. Macron finalizou seu pronunciamento dizendo que o mundo está testemunhando um acontecimento "vergonhoso" em Gaza.

Continua depois da publicidade

A fala foi realizada na Assembleia Geral da ONU nesta terça-feira (22), em Nova York, e gerou revolta entre autoridades israelenses. Macron falou ao púlpito horas depois do presidente Trump, que afirmou ter ajudado a pacificar a região de Gaza. Após as falas do presidente francês, a Casa Branca emitiu um comunicado afirmando que "ninguém fez mais pela paz e estabilidade no Oriente Médio" do que Trump.

O presidente francês ainda defendeu o sistema multilateralista e terminou sua fala com "Vida longa às Nações Unidas". "A questão que está diante de nós, em termos muito simples, é se queremos viver neste estado de natureza, com um tipo de retorno às leis da selva, ou em uma sociedade internacional civilizada", ponderou Macron.

"Nosso dever, mais do que nunca, é permanecer ao lado das Nações Unidas. Não podemos aceitar a nova ordem de impunidade que alguns adorariam construir", completou o presidente.

Continua depois da publicidade

De acordo com a Human Rights Watch, a guerra na Faixa de Gaza já matou 73 mil palestinos desde outubro de 2023. O ataque inicial do Hamas registrou em torno de 1.200 mortes. O número só foi admitido pela primeira vez por Israel em janeiro deste ano, mas desde antes disso organizações internacionais, incluindo a própria ONU, já definiram a situação de Gaza e dos palestinos como genocídio.

Emmanuel Macron ataca EUA em discurso da ONU

Desde o reconhecimento do estado Palestino por parte da França, em setembro de 2025, Macron tem sido um dos chefes de Estado mais vocais quanto a um cessar fogo e a reconstrução em Gaza. Ele afirmou que as decisões diárias tem agravado a impossibilidade de um projeto que deveria ser "baseado no respeito pelo direito legítimo de palestinos existirem".

"Há um ano, nesta mesma sala, uma dúzia de estados reconheceram o Estado Palestino. Eu ouço o cinismo de algumas pessoas: 'Reconhecimento é só um pedaço de papel, olhe para a realidade'", afirmou, efusivo. "Mas qual credibilidade nós temos que continuamos inativos na face de Gaza? Alguns se gabam de uma suposta paz, mas essa paz não reabriu o acesso humanitário por um segundo sequer. Simplesmente vamos ficar de braços cruzados e assistir a esse espetáculo que deveria envergonhar a todos nós?", questionou o presidente.

Continua depois da publicidade

O pronunciamento de Macron também faz menção aos ataques que aconteceram no último domingo (20) nas regiões da Judeia e Samaria, na Cisjornânia, local em que definiu haver violências constantes. "Em nome de quê? O Hamas nunca foi ativo particularmente na Cisjordânia", disse. Ao menos seis pessoas morreram, entre elas dois israelenses e quatro palestinos.

Resposta da Casa Branca

Em resposta às críticas de Macron, a porta-voz da Casa Branca, Anna Kelly, fez um pronunciamento: "O presidente Trumo acabou com a guerra entre Israel e Hamas, libertou todos os reféns vivos, devolveu os corpos dos mortos a seus entes queridos e agora está liderando a implementação do 20-Point Plan for Peace em Gaza".

"Enquanto outros falam, este presidente pegou esse problema complexo de cabeça erguida. Ninguém fez mais pela paz e estabilidade na região [do que Trump]", afirmou Kelly, em referência direta a fala de Macron.

Continua depois da publicidade

Israel responde Macron: 'Absurdo'

O primeiro ministro Benjamin Netanyahu respondeu as falas de Macron em um comunicado, respondendo sobretudo à fala que envolve a presença do Hamas na Cisjordânia. "O absurdo grotesco no discurso de Emmanuel Macron é impressionante", afirmou em um trecho. "Terroristas do Hamas realizam ataques contra judeus quase diariamente. Eles assassinaram incontáveis civis israelenses na Judeia e Samaria. A ignorância não é desculpa para apagar o sangue deles", continuou.