Internacional

Nepal pede ajuda técnica e estima reconstrução em até US$ 5 bilhões

Governo busca equipes e equipamentos para resgates em túneis, identificação de corpos e reconstrução de infraestrutura

5 min

29/08/2026 07:07 • Atualizado há 2 dias

Nepal pede ajuda técnica e estima reconstrução em até US$ 5 bilhões

O governo do Nepal afirmou que precisará de ajuda internacional especializada para lidar com os efeitos da avalanche que devastou uma região do país na fronteira com o Tibete e estimou que a reconstrução poderá custar entre US$ 4 bilhões (R$ 20,8 bilhões, na cotação atual) e US$ 5 bilhões (R$ 26 bilhões). O país, porém, informou que não necessita de equipes estrangeiras para as operações gerais de busca e resgate.

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Segundo o ministro das Relações Exteriores do Nepal, Shisir Khanal, os socorristas do país têm capacidade para conduzir as operações que já estão em andamento. O governo busca, no entanto, equipamentos, tecnologia e conhecimento especializado para enfrentar situações para as quais o país não possui experiência ou estrutura suficiente.

"Já fizemos pedidos por serviços especializados e assistência técnica em áreas onde não temos expertise e conhecimento técnico suficientes", afirmou Khanal à agência Reuters na noite desta sexta-feira (28).

Uma das principais preocupações das autoridades é o possível resgate de pessoas presas em túneis de usinas hidrelétricas. A força da avalanche levou grandes volumes de lama e detritos para essas estruturas, dificultando o acesso das equipes de resgate.

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Segundo informações divulgadas pelo governo nepalês e reproduzidas pelo jornal The Guardian, militares e policiais trabalham para abrir a entrada de pelo menos um túnel tomado pela lama. As autoridades não informaram quantas pessoas podem estar presas no local.

Duas pessoas foram retiradas da lama nesta sexta (28), mas as condições meteorológicas continuam dificultando as operações. O governo também solicitou assistência técnica para recuperar as conexões de transporte e comunicação em áreas onde pontes foram destruídas.

O desastre atingiu uma importante região de ligação entre Nepal e China e provocou danos severos à infraestrutura. Estradas, pontes, prédios e usinas hidrelétricas foram destruídos ou danificados pela força da água, da lama e dos detritos que desceram pelas montanhas.

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Outra prioridade é a identificação dos mortos. Khanal afirmou à Reuters que o Nepal precisa de apoio para realizar testes de DNA e identificar vítimas recuperadas em diferentes regiões atingidas pela inundação. O país também busca ampliar a capacidade para armazenar corpos.

Hospitais da região estão sobrecarregados, e as autoridades enfrentam dificuldades devido à falta de equipamentos de refrigeração suficientes para preservar os cadáveres. O ministro afirmou que mais corpos podem ser encontrados, principalmente em áreas isoladas e em estruturas atingidas pela lama.

A decisão de não solicitar equipes internacionais para as operações gerais de busca e salvamento não representa, segundo o governo, uma rejeição à ajuda estrangeira. "Achamos que não há necessidade de repetição nisso", disse Khanal à Reuters, ao explicar que os próprios socorristas nepaleses já realizam esse tipo de operação.

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A necessidade, segundo o governo, é de uma assistência mais específica. Entre os países que manifestaram interesse em ajudar estavam Índia, China, Estados Unidos, Reino Unido, Japão, Coreia do Sul, Sri Lanka e Bangladesh, segundo informações publicadas pelo jornal Kathmandu Post.

A Índia já enviou três voos com aproximadamente 60 toneladas de ajuda humanitária ao Nepal, segundo a Reuters. A carga inclui cobertores, medicamentos, alimentos e pastilhas para purificação de água.

O governo indiano também planeja enviar uma equipe especializada em resgates em túneis e profissionais da área de saúde. Além disso, a Índia ofereceu o apoio de sua força de resposta a desastres, pontes pré-fabricadas e equipes técnicas para ajudar a restabelecer a ligação entre regiões que ficaram isoladas.

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A China, por sua vez, pediu cooperação internacional para a assistência emergencial às áreas atingidas no Nepal, embora não tenha detalhado quais recursos pretende enviar ao país vizinho. A dimensão dos danos também deve exigir uma grande mobilização financeira.

O ministro das Finanças do Nepal, Swarnim Wagle, afirmou à Reuters que as estimativas iniciais apontam para uma necessidade entre US$ 4 bilhões e US$ 5 bilhões para reconstruir as áreas atingidas. "Isso é apenas uma estimativa. As perdas e os danos estão sendo avaliados", afirmou o ministro à agência.

A cifra poderá ser alterada à medida que as autoridades conseguirem chegar às regiões isoladas e contabilizar os danos. O desastre destruiu ou danificou escolas, hospitais, estradas, pontes, usinas hidrelétricas e outras estruturas. Segundo autoridades nepalesas, cerca de duas dezenas de pontes foram destruídas, comprometendo o transporte e a comunicação na região.

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O governo também pediu à Índia e à China que antecipem a reabertura de rotas de transporte e comunicação que possam ajudar no atendimento às áreas afetadas. A avalanche ocorreu na quarta passada (26), após uma grande quantidade de água, rochas, gelo, lama e outros detritos descer pelos sistemas fluviais da região montanhosa.

Avaliações preliminares apontam que o desastre pode ter sido provocado pelo colapso de uma geleira, segundo especialistas ouvidos pela Reuters. O fenômeno atingiu uma área próxima à fronteira entre o Nepal e o Tibete e provocou uma das maiores tragédias recentes da região.

Ao menos 675 pessoas morreram no Nepal, segundo a atualização mais recente divulgada pela Reuters na manhã deste sábado (29). Outras sete mortes foram confirmadas no Tibete. Quase 3.000 pessoas continuam desaparecidas nos dois lados da fronteira.

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Além da destruição já causada, autoridades continuam monitorando lagos formados após a inundação. Um deles começou a transbordar nesta sexta (28), aumentando o risco de novas enchentes e obrigando as autoridades a suspender temporariamente algumas operações de resgate.

Especialistas alertam que o risco deve persistir enquanto esses reservatórios formados após o desastre não escoarem completamente. Para o Nepal, um país de cerca de 30 milhões de habitantes e com recursos limitados para responder a desastres dessa dimensão, a reconstrução deverá depender de cooperação e apoio internacional.

A prioridade imediata, porém, é localizar os milhares de desaparecidos, retirar possíveis sobreviventes de áreas isoladas e restabelecer as ligações básicas de transporte e comunicação destruídas pela avalanche.

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