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Netanyahu perde maioria e abre disputa por coalizão com partidos árabes

Netanyahu, o premiê mais longevo do país, continua no cargo enquanto as conversas avançam

3 min

30/10/2026 10:40 • Atualizado há 1 hora

Netanyahu perde maioria e abre disputa por coalizão com partidos árabes

Benjamin Netanyahu

REUTERS/Nathan Howard/Pool

Os resultados finais das eleições em Israel confirmaram que o bloco do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu perdeu a maioria no Knesset, abrindo caminho para semanas de negociações complexas entre partidos muito diferentes - de ultraortodoxos judeus a seculares e siglas lideradas por árabes.

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Segundo os números divulgados na madrugada desta sexta-feira (30), o bloco de Netanyahu ficou com 53 cadeiras na eleição de terça-feira. O principal bloco de oposição somou 48. Partidos liderados por árabes conquistaram as 19 cadeiras restantes, um desempenho histórico. Para formar governo, será necessário reunir ao menos 61 dos 120 assentos do Parlamento.

Netanyahu, o premiê mais longevo do país, continua no cargo enquanto as conversas avançam. "Agora vem a parte realmente difícil", escreveu no X o centrista Yair Lapid. "Se você quer saber se algo está acontecendo por trás do silêncio que está ouvindo agora, a resposta é sim."

Os resultados ainda precisam ser certificados e encaminhados ao presidente Isaac Herzog na próxima quarta-feira. Em seguida, Herzog encarregará um líder político de tentar formar o novo governo. A tarefa pode ficar com Netanyahu, cujo partido recebeu mais votos, ou com quem os chefes das diferentes legendas considerarem mais capaz de construir maioria. Se as tentativas fracassarem, o país pode ser levado a uma nova eleição no início do próximo ano - um cenário que Herzog disse querer evitar.

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No intervalo até a certificação do resultado, Netanyahu e o Likud amplificaram alegações sem provas de que partidos liderados por árabes teriam "roubado" a eleição, possivelmente com ajuda estrangeira. A oposição acusou Netanyahu de demonizar a minoria árabe, cerca de 20% da população, que compareceu às urnas em números elevados, impulsionada, segundo críticos, pela reação a aliados de extrema direita do premiê, como o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, cujo partido perdeu cadeiras.

Em sua primeira manifestação pública nesta sexta-feira, Netanyahu publicou no X que é proibido formar coalizão com partidos árabes.

O chefe do comitê eleitoral, o ministro do Supremo Tribunal Noam Sohlberg, afirmou que "suspeitas sérias" de interferência estrangeira foram levadas ao seu conhecimento. Em carta ao serviço de segurança Shin Bet, disse não ter como verificar as alegações, mas pediu investigação. A imprensa israelense noticiou que integrantes do Likud apontaram o Catar como possível envolvido. Doha negou e classificou a acusação como "ridícula e perigosa".

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A comissão eleitoral disse que a apuração se baseia em inteligência sigilosa, mas ressaltou que isso não altera o resultado final a ser enviado ao presidente nem se dirige a um grupo específico da população. O Shin Bet também afirmou que a investigação não busca "lançar suspeitas" sobre uma parcela da sociedade que votou "de forma democrática e legal". O comitê eleitoral pediu conclusões em até uma semana.

Mesmo com as negociações para coalizão em curso, o novo Knesset deve tomar posse em 10 de novembro. A partir daí, o bloco do oposicionista Gadi Eisenkot poderia se unir às bancadas lideradas por árabes para eleger um novo presidente do Parlamento, ganhando influência sobre a agenda legislativa antes da formação do governo.

O debate sobre a participação de partidos árabes em uma coalizão volta ao centro da política israelense: para alguns, trata-se de um passo necessário, e para outros, um risco político difícil de aceitar. Se Netanyahu acabar fora do cargo, críticos avaliam que ele enfrentará maior pressão por acusações de corrupção e aumentará a chance de uma investigação sobre falhas de segurança antes do ataque liderado pelo Hamas em 7 de outubro de 2023.

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