Internacional

O que falta para a AfD formar um governo na Saxônia-Anhalt

Com cordão sanitário à prova, papel de fiel da balança fica para novo partido de esquerda "antiwoke".

5 min

07/09/2026 10:27 • Atualizado há 4 dias

O que falta para a AfD formar um governo na Saxônia-Anhalt

A vitória acachapante do partido Alternativa para a Alemanha (AfD) na Saxônia-Anhalt dá início a um tenso jogo de quebra-cabeças para formar um governo no estado do Leste alemão. Em jogo, está a possibilidade de a ultradireita chegar ao poder pela primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial, no que seria um marco político simbólico para o país.

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Na Alemanha, a formação de governos estaduais também é parlamentarista. Um partido que obter mais da metade dos assentos na Assembleia Legislativa conquista o posto de governador do estado. Como nenhum dos partidos obteve a maioria necessária na eleição de domingo (06/09), eles terão que costurar alianças. As legendas podem se unir em coalizões para governar juntas em maioria ou, ainda, angariar apoio de outras para liderar um governo minoritário.

Com 43,8% dos votos depositados (39 dos 83 assentos parlamentares), a AfD já anunciou que vai se mover a partir desta semana para tentar obter uma coalizão majoritária. Até a noite da eleição, entretanto, a posição do partido era outra, negando que recorreria aos adversários.

"Faremos propostas de diálogo a todos os partidos. Aí veremos quem rejeita nossa mão estendida", disse na manhã desta segunda-feira o copresidente da legenda, Tino Chrupalla, à emissora pública ARD.

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Isso exigiria da AfD, na prática, ultrapassar o chamado "cordão sanitário", um compromisso das outras forças políticas de não cooperar com a ultradireita e, assim, mantê-la longe do poder.

Apelo à CDU

Ao longo da campanha, todos os partidos descartaram uma coalizão com a AfD. A ampla vitória da ultradireita, ao mesmo tempo, torna o pacto frágil: a aliança com um só partido já lhe permitiria liderar um governo de coalizão. Ou seja, uma única mudança de posição partidária em favor da AfD seria o suficiente para virar o jogo.

A AfD nunca liderou um governo estadual, e, na Saxônia-Anhalt, o seu diretório é considerado uma "organização extremista de direita" por autoridades de inteligência.

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Nesta segunda-feira, Chrupalla apelou ao partido conservador União Democrata Cristã (CDU), que, ao que tudo indica, será o primeiro foco dos esforços da AfD. "Acho que a CDU precisa fazer uma autoavaliação e refletir sobre quais consequências tirará deste resultado eleitoral desastroso," acrescentou.

A CDU, até agora no governo do estado, foi a grande derrotada da noite. Ficou em segundo lugar, mas com só 17,2% dos votos (15 assentos), o que equivale a uma queda de 19,9 pontos percentuais em relação ao pleito de 2021. Em contrapartida, a AfD registrou salto de 23 pontos.

O fator BSW

Um novo fator que poderá ser decisivo na equação é a ascensão, ainda que comedida, da Aliança por Justiça Social e Racionalidade Econômica (BSW), uma legenda populista de esquerda e "antiwoke". Congregada pela ex-comunista Sahra Wagenknecht, que debandou em 2023 do A Esquerda, ela divide com a AfD discursos restritivos para a política de imigração e em favor da Rússia.

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O partido obteve 5,3% dos votos (5 assentos) na sua primeira eleição estadual na Saxônia-Anhalt. Isto é, atingiu por pouco a barreira dos 5% necessários para entrar no Parlamento.

Durante a campanha eleitoral, a BSW já tinha indicado que poderia viabilizar um governo liberado pela AfD. Nesta segunda-feira, o partido confirmou que não pretende bloquear a ultradireita na votação que definirá o novo governador, pedindo por um "novo começo político".

Agora, resta saber se a legenda poderia formar uma coalizão com a ultradireita ou, ao menos, apoiar um governo minoritário da AfD. Juntas, AfD e BSW obtiveram 44 assentos.

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Quebrando o "cordão sanitário" por dentro

Paralelamente, a AfD incita deputados eleitos a não seguirem a orientação das próprias legendas para a votação. A debandada poderia, assim, quebrar o "cordão sanitário" por dentro, a despeito das posições adotadas oficialmente pelos partidos.

O obstáculo neste cenário não seria exatamente alto: a legenda precisa conquistar só três parlamentares para obter os 42 apoios necessários para eleger o governador.

Segundo o candidato a governador na Saxônia-Anhalt pela AfD, Ulrich Siegmund, as conversas já estão em andamento com grupos parlamentares e deputados individualmente. Ele chamou esta de uma "tarefa histórica".

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Na contramão, para ter alguma esperança de fazer frente à AfD, todos os outros partidos que entraram no Parlamento precisariam formar uma mega aliança. O cenário mais provável seria, neste caso, uma tentativa de coalizão entre CDU, o Partido Social-Democrata (SPD) e os Verdes, que obtiveram juntos 31 assentos.

Impasse provável

Caberia, então, ao A Esquerda apoiar este governo tripartidário, que alcançaria assim também 39 votos. A CDU já rejeitou categoricamente incluir na coalizão o partido, que, por sua vez, se mostra aberto a negociar o seu suporte.

Em última instância, quando duas rodadas de votação na Assembleia Legislativa não resultam na maioria absoluta para a eleição de um governador, os deputados estaduais devem decidir, então, se querem dissolver o Parlamento. Para isso também são necessários 42 votos a favor. Em caso positivo, são convocadas novas eleições.

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Do contrário, acontece uma terceira votação, com condições facilitadas para quebrar o impasse. O indicado a governador que obtiver uma maioria simples dos votos válidos (desconsideradas abstenções e, portanto, independentemente de obter 42 assentos da Assembleia) é eleito e pode formar um governo de minoria.

Na ausência da mega aliança contra a AfD, o fiel da balança seria mais uma vez a BSW. Já se sabe que o partido cogita a abstenção, numa manobra que abriria o caminho à ultradireita. Assim, os 39 votos da legenda configurariam, necessariamente, maioria simples.

Mas, caso se concretize a coalizão entre CDU, SPD e Verdes (com apoio do A Esquerda), as duas possíveis formações ficariam com a mesma contagem de votos, o que agravaria o quebra-cabeça político.

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