Paraguai: Câmara rejeita impeachment de vice; Alliana deve ser presidente
Santiago Peña era alvo de processo de impeachment por crise bancária. O político anunciou a renúncia ao cargo nesta quinta-feira

Pedro Alliana
Reprodução/Instagram
A Câmara dos Deputados rejeitou, nesta quinta-feira (5), o pedido de impeachment contra o vice-presidente do Paraguai, Pedro Alliana. Com a decisão, o político deve assumir a presidência do país após renúncia de Santiago Peña.
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Santiago Peña, mais cedo, anunciou sua renúncia ao cargo em meio a uma crise bancária instalada no país. Deputados da oposição protocolaram o pedido de impeachment da chapa.
Em nota, a Câmara dos Deputados paraguaia afirmou que o pedido recebeu 48 votos contra e 30 a favor da denúncia.
Durante o debate em plenário, os blocos que se opuseram ao julgamento político argumentaram que o vice-presidente não tinha autoridade legal nem envolvimento direto na tomada de decisões que desencadearam a recente crise do sistema financeiro.
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Eles argumentaram sobre a necessidade de preservar a normalidade constitucional na linha de sucessão presidencial “diante da iminente falta de liderança no Poder Executivo”.
Como não foi atingida a maioria de dois terços dos presentes, estipulada na Constituição do país, o presidente da Câmara, Raúl Latorre (ANR-Capital), decretou a rejeição formal do documento e ordenou seu encaminhamento ao arquivo institucional.
Quem é Pedro Alliana
Hércules Pedro Lorenzo Alliana Rodríguez nasceu em fevereiro de 1974. Ele nasceu em Pilar, é casado e tem quatro filhos.
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Pedro Alliana começou sua carreira política como candidato a prefeito em 2006 pelo Partido Colorado, de direita, mas perdeu a eleição. Dois anos depois, em 2008, foi eleito governador de Ñeembucú e permaneceu no cargo até 2012.
Em 2013, foi eleito deputado nacional por Ñeembucú e foi reeleito em 2018. É aliado dos ex-presidentes Horacio Cartes e Mario Abdo Benítez. Em 2023, foi escolhido como candidato a vice-presidente na chapa de Santiago Peña, que foi eleito.
Renúncia de Santiago Peña
Em vídeo divulgado nas redes sociais, Peña afirmou que esse é um dos momentos mais difíceis de sua vida.
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“Com o coração posto no Paraguai e com a convicção de que a nossa República deve estar sempre acima de qualquer pessoa ou circunstância. A história se encarregará de julgar e colocar em sua justa dimensão os acontecimentos que hoje nos toca viver. Tomei a decisão de apresentar a minha renúncia à presidência da República”, disse Peña.
“O faço pensando na estabilidade do nosso país, na paz social e na necessidade de preservar as nossas instituições democráticas. O faço com absoluto respeito à nossa Constituição nacional e aos mecanismos institucionais e democráticos que nos demos como nação. Estou convicto de que nenhum cargo pode estar acima do bem-estar do Paraguai”, continuou.
Na postagem, o político pediu desculpas ao povo paraguaio “se em algum momento” falhou. Segundo ele, nunca foi sua intenção lesar a confiança que a população depositou nele.
“Cada dia assumi esta responsabilidade com a vontade de trabalhar pelo Paraguai. Mas hoje, a minha prioridade é uma só: a tranquilidade dos paraguaios que confiaram suas economias em nosso sistema financeiro. Por trás de cada depósito há anos de esforço, sacrifício e projetos familiares”, disse.
Peña pontuou que seu maior desejo é que “se garanta a devolução desses recursos, que o Fundo de Garantia de Depósitos cumpra a sua finalidade e que se protejam os fundos públicos e os recursos que pertencem a todos os paraguaios”.
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“Somos um país que atravessou momentos muito difíceis e que sempre soube se reerguer. Confio profundamente na fortaleza do nosso povo e na capacidade das nossas instituições para superar esta situação. Hoje devemos demonstrar mais uma vez que a democracia se respeita, que as instituições se cuidam e que o Paraguai está acima das nossas diferenças”, continuou.
Por fim, Santiago Peña afirmou que nenhum cargo é mais importante do que a estabilidade da República e que nenhuma pessoa está acima do Paraguai.
“Agradeço a confiança por cada momento vivido e por me terem dado a honra de servir a esta grande nação. Que Deus abençoe cada família paraguaia e que Deus abençoe o Paraguai”, finalizou.
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Entenda escândalo que levou presidente à renúncia
O escândalo financeiro bilionário atinge cerca de 3 milhões de pessoas, o que representa aproximadamente 40% da população paraguaia, e já recebeu o apelido de "Master Paraguayo".
Com as contas bloqueadas pelo fechamento da instituição determinado pelo Banco Central do Paraguai, os correntistas passaram a exigir a liberação imediata de seus recursos para arcar com despesas básicas como aluguel, alimentação e estudos.
O Banco Central paraguaio ordenou o fechamento da instituição financeira após constatar um rombo que ultrapassa R$ 4 bilhões. A investigação aponta que o crescimento acelerado e atípico do banco ocorreu por meio da concessão excessiva de crédito a empresas ligadas ao próprio grupo controlador, dinâmica que lembra o caso brasileiro envolvendo o Banco Master.
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Impacto político
A crise financeira gerou forte repercussão na política nacional. O presidente do Paraguai, Santiago Peña, foi alvo de denúncias por ter sido sócio, até o ano passado, de uma empresa que detinha participação no banco. Peña não respondeu diretamente às acusações e classificou a crise como um episódio isolado, enquanto partidos de oposição protocolaram um pedido de impeachment.
O desgaste político também provocou a renúncia do presidente do Banco Central do Paraguai, Carlos Carvalho. No âmbito judicial, oito executivos ligados à instituição foram presos.
Pedido de impeachment protocolado
Deputados da oposição paraguaia apresentaram formalmente um pedido de impeachment contra o presidente do país, Santiago Peña, e seu vice, Pedro Alliana, em razão de um escândalo bancário que, na terça-feira (3), deixou cerca de três milhões de cidadãos com suas contas congeladas.
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O deputado Mauricio Espínola, um dissidente da base governista, afirmou que o documento apresentado ao presidente da Câmara dos Deputados obteve 35 assinaturas e que a sessão para tratar do processo de impeachment está marcada para esta quinta-feira (5).
As autoridades monetárias iniciaram um processo de dissolução, colocando em dúvida o destino de economias que somam centenas de milhões de dólares.
A acusação apresentada à Câmara pede a abertura de um processo de impeachment contra o presidente "por mau desempenho de suas funções no exercício do cargo". Entre as acusações estão "conflito de interesses" e a evolução de seu patrimônio.
