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Policial supera violência doméstica e ajuda mulheres em situação de risco

História da cabo Kátia ilustra o trabalho da rede de proteção às mulheres fortalecida pelo Governo de São Paulo

2 min

08/03/2026 07:00 • Atualizado há 177 dias

Policial supera violência doméstica e ajuda mulheres em situação de risco

A voz que atende o telefone 190 no Centro de Operações da Polícia Militar (Copom) carrega, muitas vezes, mais do que o treinamento técnico da corporação; carrega empatia moldada pela própria história. É o caso da Cabo Kátia Cilene, que dedicou quase três décadas ao atendimento de emergências e hoje é peça fundamental na rede de proteção às vítimas de violência doméstica do Governo de São Paulo.

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Antes de vestir a farda da Polícia Militar, Kátia viveu o que muitas mulheres atendidas por ela enfrentam diariamente. Recém-chegada de Recife à capital paulista aos 19 anos, ela era dona de casa e vivia sob o peso da violência psicológica. Impedida de trabalhar pelo então marido, Kátia viu sua vida mudar ao sair escondida para buscar uma oportunidade.

Ao encontrar duas jovens com um jornal de classificados, ouviu sobre a seleção para a "Polícia Feminina". Com apenas cinco cruzeiros no bolso — o dinheiro da passagem —, ela fez sua inscrição. O processo seletivo foi um segredo mantido sob o medo da repressão doméstica. "Ele tentou me jogar para fora do carro no meio da rodovia durante uma discussão", relembrou Kátia, sobre o momento em que revelou a aprovação no concurso.

A ascensão na Polícia Militar

Mesmo diante da agressividade do companheiro, Kátia não recuou. Durante oito meses, conciliou o rigoroso curso de formação com a rotina de cuidados com os filhos, contando com o apoio de uma tia e de colegas de farda. Sua determinação rendeu frutos: ela concluiu a formação como a quarta colocada da turma.

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Designada para o Copom, Kátia atuou por 28 anos na linha de frente dos chamados de emergência. Durante esse tempo, sua voz foi o primeiro acento de esperança para inúmeras mulheres que ligavam para o 190 em momentos de desespero.

A cabine lilás e o reconhecimento tardio

Apesar de ser uma autoridade na segurança pública, a compreensão total sobre o ciclo de violência que ela mesma viveu levou décadas para amadurecer. O "clique" definitivo ocorreu em 2023, durante a formação para a Cabine Lilás, uma iniciativa especializada no acolhimento de mulheres vítimas de violência.

Hoje, a trajetória da Cabo Kátia Cilene não é apenas um registro de serviço público exemplar, mas um símbolo de que é possível romper o ciclo de abusos. Sua experiência pessoal agora serve de guia para humanizar ainda mais o atendimento e fortalecer a rede de proteção no estado, provando que o acolhimento começa, muitas vezes, em quem já sentiu a mesma dor.

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