Sonia Blota

Protestos estudantis crescem na França e paralisam 1,8 mil escolas

O movimento começou no fim de setembro, quando os estudantes aderiram a uma jornada de greve do funcionalismo público

2 min

06/10/2026 10:31 • Atualizado há 17 horas

Protestos estudantis crescem na França e paralisam 1,8 mil escolas

REUTERS/Stephane Mahe

Crescem os protestos de estudantes do ensino fundamental e médio na França. Esta segunda-feira (6), é mais um dia de mobilização por todo o país. Sindicalistas, professores e outras categorias do funcionalismo público se juntam às marchas, que paralisam as regiões centrais de várias cidades francesas.

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Nos últimos dias, houve cenas de violência, e há receio de que os confrontos se intensifiquem. Mais de cinco mil pessoas foram presas desde o início da revolta estudantil, e houve feridos em confrontos com a polícia. Lixeiras incendiadas, uso de gás lacrimogêneo e depredações em escolas têm marcado as manifestações.

Cerca de 1.800 escolas estão fechadas ou bloqueadas. Mais de 200 mil pessoas são esperadas nas ruas.

O movimento começou no fim de setembro, quando os estudantes aderiram a uma jornada de greve do funcionalismo público contra o congelamento dos salários previsto na proposta de orçamento do governo para 2027.

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Depois de negociações, os servidores deram, por enquanto, um voto de confiança ao governo. Mas os estudantes mantiveram a mobilização. Reclamam de salas superlotadas, infraestrutura precária, falta de professores e desigualdades entre as escolas públicas. E seguem bloqueando escolas e marchando pelas ruas.

O movimento também tem uma dimensão política. Incorpora críticas ao governo e ao avanço da direita. Líderes da direita francesa, por sua vez, acusam a extrema esquerda de usar os estudantes para alimentar os protestos.

Com a eleição presidencial de 2027 no horizonte, a disputa política já ganha força por aqui.

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O problema é que esse mal-estar vai além da França. Em várias partes da Europa, o ambiente é de insatisfação, e qualquer fagulha pode acirrar os ânimos.

Aqui, tivemos recentemente pescadores bloqueando portos por causa do preço do diesel. Na Espanha, grandes manifestações expõem a crise da moradia, em meio à tensão política em torno do governo de Pedro Sánchez.

O custo de vida e os aluguéis também alimentam a insatisfação em Portugal, Irlanda, Bélgica e Alemanha, com mobilizações de diferentes dimensões.

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Há algum tempo, a inflação, a perda do poder de compra, o encarecimento dos combustíveis e da energia em meio aos conflitos internacionais, a crise da moradia e a deterioração dos serviços públicos — sobretudo na saúde e na educação — vêm acumulando descontentamento.

A imigração também está no centro do debate político. E esse conjunto de tensões ajuda a explicar as mudanças de governo no continente.

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