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Quem é Abelardo de la Espriella, eleito presidente da Colômbia

Advogado rico de ultradireita, sem experiência na política e de língua solta vira fenômeno eleitoral. Abelardo de la Espriella, ou "El Tigre", capitaliza descontentamento com a esquerda para vencer eleição presidencial

4 min

22/06/2026 10:17 • Atualizado há 124 dias

Quem é Abelardo de la Espriella, eleito presidente da Colômbia

Atrás de uma proteção de vidro à prova de balas, um advogado rico e de opiniões contundentes transformou-se num fenômeno político. Abelardo de la Espriella – apelidado de "El Tigre" – capitalizou o descontentamento com a esquerda governante para se tornar o presidente eleito da Colômbia.

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O outsider de 47 anos, apoiado por Donald Trump, foi eleito neste domingo (21) após anos defendendo paramilitares, traficantes de drogas, políticos corruptos e estrelas do futebol.

Num segundo turno acirrado, derrotou o esquerdista Iván Cepeda – aliado do presidente Gustavo Petro – com uma campanha marcada pelo patriotismo e por uma retórica antissistema.

Até bem pouco tempo atrás, De la Espriella era conhecido por sua bem-sucedida carreira profissional e por suas excentricidades, longe de qualquer aspiração política.

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A mudança veio em julho de 2025, com a criação do movimento de ultradireita Defensores da Pátria – resposta ao "momento sombrio" que o país, a seu ver, vivia sob Petro.

Deu certo: 11 meses depois, ele largou na frente no primeiro turno, desbancando o uribismo na preferência do eleitorado colombiano de direita. E sem jamais ter ocupado um cargo público.

Advogado de clientes controversos

De la Espriella fez fortuna como advogado defendendo clientes controversos, como o empresário Alex Saab, que está detido nos Estados Unidos sob acusação de lavagem de dinheiro, ou David Murcia Guzmán, protagonista do maior esquema de pirâmide da Colômbia.

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Com o sucesso nos tribunais, que o tornou milionário, abriu uma loja, a De la Espriella Style. Nela comercializa marcas próprias, como o rum Defensor, o vinho Fratellone e itens de vestuário e acessórios, como camisas, gravatas e lenços de seda para "defensores da pátria".

Natural da região caribenha e ultradireitista, se define como judaico-cristão. Diz que deixou para trás a dolce vita na cidade italiana de Florença e que a campanha foi um "sacrifício" em prol da "pátria", para governar a Colômbia com uma mensagem radical que desperta fervor entre seus apoiadores e medo entre seus críticos.

Em seu estilo de se vestir e em seus gostos culinários, ele se esforça para ser o mais italiano possível. Cantor de ópera amador, chegou até a gravar dois álbuns como tenor, intitulados De mi alma italiana e Navegante.

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Por mais armas e mais prisões

Defende o direito ao porte de armas e uma redução de 40% no tamanho do Estado e quer construir megaprisões onde os detentos seriam mantidos "dez andares abaixo da terra" e alimentados com "pão e água".

Embora manifeste desprezo pelos políticos, ele mantém "uma amizade próxima" com o influente ex-presidente de direita Álvaro Uribe (2002–2010).

Em comícios que incluíam fogos de artifício e sons de rugidos de tigre, ele jurou "reconstruir a República", defender a democracia "pela razão ou pela força" e tornar-se um "inimigo declarado" da esquerda.

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Prometeu derrotar a classe política, gerar riqueza e melhorar a segurança em meio a uma escalada de conflitos armados, no momento em que chegava ao fim o primeiro governo de esquerda da história do país.

Após eliminar a direita tradicional da disputa no primeiro turno, ele adotou uma postura antissistema: "A toda essa máfia que desgoverna a Colômbia, eu digo: aqui está uma manada, um povo que não se ajoelhará e que veio para enfrentá-los" e "para puni-los".

Determinado a transformar o Estado num empreendimento próspero, ele se inspira em políticos como Javier Milei, Nayib Bukele e Trump.

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Espriella costuma usar ternos impecáveis ​​– sem gravata – e mocassins. Também costuma vestir a camisa amarela da seleção nacional de futebol, assim como o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Questionamentos

Detentor de cidadania americana e colombiana, De la Espriella enfrenta uma série de questionamentos sobre sua atuação anterior como advogado e a origem de sua fortuna.

Antes de concorrer à presidência, utilizava as redes sociais para exibir viagens em jatos particulares, ternos sob medida, chapéus e óculos de sol de luxo.

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Durante a corrida presidencial, foi alvo de críticas por declarações consideradas sexistas e homofóbicas – comentários que, no entanto, não prejudicaram sua popularidade.

De la Espriella é casado desde 2008 com a administradora de empresas Ana Lucía Pineda, com quem tem quatro filhos.

Ele afirma ter a coragem para governar com "mão de ferro" a maior nação produtora de cocaína do mundo, um país mergulhado num conflito armado que já dura mais de seis décadas.

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Também defende o fim do tribunal estabelecido pelo acordo de paz de 2016 com as guerrilhas das Farc – um órgão que julga os piores crimes do conflito armado.

Semelhança física e ideológica com Bukele

De la Espriella tem semelhanças física e ideológica com o presidente de El Salvador, Nayib Bukele, conhecido por sua linha-dura na segurança, e é frequentemente criticado por comentários sexistas e homofóbicos.

Aos que o criticam por nunca ter ocupado cargos públicos, responde que isso é uma vantagem, pois o libera de compromissos com políticos e grupos econômicos, e ressalta sua experiência de empresário bem-sucedido.

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Seu companheiro de chapa para a vice-presidência é o economista José Manuel Restrepo, que, com seu prestígio acadêmico, conferiu um tom de maior sobriedade à campanha. Restrepo é defensor da austeridade na economia.

md/as (EFE, AFP)

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