Quem é Santiago Peña, presidente do Paraguai que renunciou ao cargo
Chefe do Executivo paraguaio renunciou ao cargo em meio a crise bancária
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, renunciou ao cargo de chefe do Executivo paraguaio nesta quinta-feira (5) em meio a crise bancária. Mais cedo, deputados de oposição havia protocolado pedido de impeachment do político.
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Nascido em Assunção, capital do país, em novembro de 1978, Santiago Peña é filiado ao Partido Colorado, de direita. Ele foi eleito presidente em 2023 após o mandato de Mario Abdo Benítez, do mesmo partido.
Economista, o político já foi membro de uma equipe do Fundo Monetário Internacional (FMI), onde dirigiu a ligação do órgão com a África.
Ele é ex-membro do Conselho de Administração do Banco Central do Paraguai e ex-Ministro da Fazenda do Paraguai. Ele foi candidato nas primárias presidenciais do Partido Colorado em 2018, onde perdeu para Mario Abdo Benítez, que foi eleito presidente nas eleições gerais daquele ano.
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Anúncio da decisão
Em vídeo divulgado nas redes sociais, Peña afirmou que esse é um dos momentos mais difíceis de sua vida.
“Com o coração posto no Paraguai e com a convicção de que a nossa República deve estar sempre acima de qualquer pessoa ou circunstância. A história se encarregará de julgar e colocar em sua justa dimensão os acontecimentos que hoje nos toca viver. Tomei a decisão de apresentar a minha renúncia à presidência da República”, disse Peña.
“O faço pensando na estabilidade do nosso país, na paz social e na necessidade de preservar as nossas instituições democráticas. O faço com absoluto respeito à nossa Constituição nacional e aos mecanismos institucionais e democráticos que nos demos como nação. Estou convicto de que nenhum cargo pode estar acima do bem-estar do Paraguai”, continuou.
Na postagem, o político pediu desculpas ao povo paraguaio “se em algum momento” falhou. Segundo ele, nunca foi sua intenção lesar a confiança que a população depositou nele.
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“Cada dia assumi esta responsabilidade com a vontade de trabalhar pelo Paraguai. Mas hoje, a minha prioridade é uma só: a tranquilidade dos paraguaios que confiaram suas economias em nosso sistema financeiro. Por trás de cada depósito há anos de esforço, sacrifício e projetos familiares”, disse.
Peña pontuou que seu maior desejo é que “se garanta a devolução desses recursos, que o Fundo de Garantia de Depósitos cumpra a sua finalidade e que se protejam os fundos públicos e os recursos que pertencem a todos os paraguaios”.
“Somos um país que atravessou momentos muito difíceis e que sempre soube se reerguer. Confio profundamente na fortaleza do nosso povo e na capacidade das nossas instituições para superar esta situação. Hoje devemos demonstrar mais uma vez que a democracia se respeita, que as instituições se cuidam e que o Paraguai está acima das nossas diferenças”, continuou.
Por fim, Santiago Peña afirmou que nenhum cargo é mais importante do que a estabilidade da República e que nenhuma pessoa está acima do Paraguai.
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“Agradeço a confiança por cada momento vivido e por me terem dado a honra de servir a esta grande nação. Que Deus abençoe cada família paraguaia e que Deus abençoe o Paraguai”, finalizou.
Entenda escândalo que levou presidente à renúncia
O escândalo financeiro bilionário atinge cerca de 3 milhões de pessoas, o que representa aproximadamente 40% da população paraguaia, e já recebeu o apelido de "Master Paraguayo".
Com as contas bloqueadas pelo fechamento da instituição determinado pelo Banco Central do Paraguai, os correntistas passaram a exigir a liberação imediata de seus recursos para arcar com despesas básicas como aluguel, alimentação e estudos.
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O Banco Central paraguaio ordenou o fechamento da instituição financeira após constatar um rombo que ultrapassa R$ 4 bilhões. A investigação aponta que o crescimento acelerado e atípico do banco ocorreu por meio da concessão excessiva de crédito a empresas ligadas ao próprio grupo controlador, dinâmica que lembra o caso brasileiro envolvendo o Banco Master.
Impacto político
A crise financeira gerou forte repercussão na política nacional. O presidente do Paraguai, Santiago Peña, foi alvo de denúncias por ter sido sócio, até o ano passado, de uma empresa que detinha participação no banco. Peña não respondeu diretamente às acusações e classificou a crise como um episódio isolado, enquanto partidos de oposição protocolaram um pedido de impeachment.
O desgaste político também provocou a renúncia do presidente do Banco Central do Paraguai, Carlos Carvalho. No âmbito judicial, oito executivos ligados à instituição foram presos.
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Pedido de impeachment protocolado
Deputados da oposição paraguaia apresentaram formalmente um pedido de impeachment contra o presidente do país, Santiago Peña, e seu vice, Pedro Alliana, em razão de um escândalo bancário que, na terça-feira (3), deixou cerca de três milhões de cidadãos com suas contas congeladas.
O deputado Mauricio Espínola, um dissidente da base governista, afirmou que o documento apresentado ao presidente da Câmara dos Deputados obteve 35 assinaturas e que a sessão para tratar do processo de impeachment está marcada para esta quinta-feira (5).
As autoridades monetárias iniciaram um processo de dissolução, colocando em dúvida o destino de economias que somam centenas de milhões de dólares.
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A acusação apresentada à Câmara pede a abertura de um processo de impeachment contra o presidente "por mau desempenho de suas funções no exercício do cargo". Entre as acusações estão "conflito de interesses" e a evolução de seu patrimônio.
