Rússia e Ucrânia: mais de 100 brasileiros estão desaparecidos na guerra
A guerra entre Rússia e Ucrânia registra mais de cem brasileiros dados como desaparecidos, segundo levantamento do Itamaraty. Muitos cidadãos viajam para o
A guerra entre Rússia e Ucrânia registra mais de cem brasileiros dados como desaparecidos, segundo levantamento do Itamaraty. Muitos cidadãos viajam para o front em busca de ganhos financeiros promissores oferecidos por unidades estrangeiras, mas enfrentam uma realidade marcada por perigos extremos e quebras de acordos contratuais.
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A convocação de combatentes estrangeiros começou logo no início da invasão russa, em 2022. Kiev criou a Legião Internacional de Defesa Territorial da Ucrânia, uma unidade militar que recruta voluntários e mercenários no exterior.
No site oficial, a busca é direcionada a pessoas entre 18 e 60 anos, com boa condição física e sem histórico criminal. Embora o recrutamento utilize o termo voluntário, há previsão de remuneração com contratos de três anos, onde um granadeiro pode receber entre 500 e 4.500 dólares mensais.
"Então é como se fosse um terceirizado. Faz o recrutamento, faz a seleção, treinamento e aí ela recebe as missões e distribui as missões. Então se pessoa vai receber, se o que foi acordado realmente vai acontecer não tem nenhuma garantia porque está dentro de um limbo de decisões", explica a professora de Relações Internacionais da ESPM, Denilde Holzhacker.
Relatos de desistência e riscos no front
O motorista alagoano Everton Bezerra chegou a enviar documentação para uma vaga na Ucrânia atraído pela promessa de um pagamento de 30 mil reais. Contudo, desistiu após manter contato diário com brasileiros que já estavam combatendo no leste europeu.
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"E eu conversava com eles diariamente e eles me falavam que lá eles não cumpriram o que combinaram com eles. Chegou lá e foi tudo diferente. Não teve o combinado", relata Everton.
Dados oficiais do Itamaraty apontam que 40 brasileiros morreram no front de guerra, enquanto mais de cem continuam desaparecidos. A maior parte das baixas concentra-se no lado ucraniano, incluindo casos como o de Fabrício, morto no fim de semana aos 25 anos.
Carlos, um brasileiro que atua como mercenário na Ucrânia desde 2024, faz alertas severos sobre a realidade do conflito: "Você precisa de treinamento, mas você também precisa de sorte. Você tem que saber que a chance de morrer é de 90%... 90% de tu ir e não voltar".
