Internacional

Trump anuncia fim de ajuda anual dos EUA de US$ 4 bilhões a Israel

No dia das eleições de meio de mandato, presidente dos EUA afirmou que os repasses de caráter militar e econômico serão encerrados

5 min

03/11/2026 14:35 • Atualizado há 1 hora

Trump anuncia fim de ajuda anual dos EUA de US$ 4 bilhões a Israel

Donald Trump e Benjamin Netanyahu

REUTERS/Ronen Zvulun

Os Estados Unidos deixarão de fornecer a Israel cerca de 4 bilhões de dólares por ano (aproximadamente R$ 22 bilhões) em ajuda militar e econômica a partir do fim de 2026, mas continuarão vendendo armamentos ao seu principal aliado no Oriente Médio, afirmou nesta terça-feira (3) o presidente americano Donald Trump.

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Em entrevista por telefone à Fox News no dia das eleições legislativas de meio de mandato, o republicano disse que a proposta foi negociada com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e que ambos discutem o assunto há alguns anos. Segundo Trump, os dois chegaram a um entendimento para encerrar gradualmente o programa.

O republicano afirmou que Israel não precisa mais da ajuda financeira e que o custo é elevado para os Estados Unidos. Segundo ele, o tema também passou a ser explorado politicamente por democratas, como Abdul El-Sayed, candidato ao Senado pelo estado de Michigan e crítico da política israelense.

Até mesmo setores conservadores mais à direita, tradicionalmente alinhados a Trump, passaram a questionar o apoio americano a Israel, visto como cada vez mais controverso por eleitores indecisos. Comentaristas influentes, como Tucker Carlson, têm colocado em dúvida o valor estratégico da relação.

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"Você pode considerar isso uma troca. Pode considerar ajuda militar ou dinheiro", disse Trump. "Damos a eles 4 bilhões de dólares em equipamentos e recursos, e eles não precisam disso. Fui procurado por Bibi Netanyahu e conversamos sobre o tema há alguns anos porque é muito dinheiro."

O presidente afirmou ainda que Israel concorda com o fim do programa. "Israel é nosso número um; damos mais a eles do que a qualquer outro país, e eles não precisam mais disso", disse. "Continuei fazendo isso, mas Israel é um país muito próspero. Não precisa dessa ajuda. Se precisasse, eu defenderia sua manutenção."

O gabinete de Netanyahu não comentou imediatamente as declarações. Entre adversários políticos do premiê israelense, a reação foi cautelosa.

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Yair Golan, um dos líderes da oposição israelense, afirmou que o fim da ajuda militar americana representaria um "golpe severo para a segurança de Israel" em um momento em que o país enfrenta conflitos em várias frentes.

"O ônus de financiar as necessidades de defesa em um momento tão crítico recairá inteiramente sobre a população israelense", disse Golan, ex-vice-chefe das Forças Armadas, em comunicado.

Dezenas de bilhões de dólares enviados a Israel

Os Estados Unidos destinaram dezenas de bilhões de dólares em ajuda militar a Israel nos últimos anos.

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Em 2016, o então presidente Barack Obama assinou um acordo de segurança sem precedentes com Israel, garantindo 38 bilhões de dólares (aproximadamente R$ 209 bilhões) em assistência militar ao longo de dez anos, o equivalente a 3,8 bilhões de dólares anuais (cerca de R$ 21 bilhões).

O memorando de entendimento, assinado durante o governo Obama, prevê repasses anuais entre 2019 e 2028. Pelos termos do acordo, Israel perderia gradualmente a possibilidade de gastar parte dos recursos em produtos militares fabricados localmente. Ao final da transição, todo o valor deveria ser utilizado na compra de equipamentos da indústria bélica americana.

Netanyahu já havia defendido, em ocasiões anteriores, a redução gradual da dependência israelense dessa ajuda. Em janeiro, disse à revista The Economist que pretendia diminuir progressivamente a assistência militar americana ao longo da próxima década e que essa mudança já estava em andamento.

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Trump diz que pagamento virou alvo de críticas

Segundo Trump, a ajuda também se tornou um problema político por sua repercussão pública. O presidente voltou a citar Abdul El-Sayed como exemplo de político que utiliza o tema em suas campanhas.

O presidente americano pode perder o controle do Senado para os democratas e tem buscado formas de alcançar eleitores indecisos.

"A esquerda usa esse pagamento de 4 bilhões de dólares, que todos conhecem e não é segredo para ninguém, como símbolo de injustiça", afirmou à Fox News. "E não podemos permitir que isso aconteça. Não gosto disso porque é um alvo fácil, talvez fácil demais."

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A possibilidade de encerrar gradualmente a ajuda militar e econômica direta dos Estados Unidos a Israel enfrenta obstáculos. Um deles são os compromissos assumidos pelos Estados Unidos nos Acordos de Camp David com o Egito, que preveem apoio em matéria de segurança tanto a Israel quanto aos egípcios.

Além disso, boa parte da assistência americana ocorre por meio do programa de Financiamento Militar Estrangeiro (FMF, na sigla em inglês), que transfere recursos a Israel com a exigência de que sejam usados na compra de armamentos produzidos nos Estados Unidos. Na prática, o dinheiro retorna à economia americana por meio da indústria de defesa.

Caso Israel não mantenha o mesmo volume de compras de equipamentos militares dos Estados Unidos, empresas do setor podem sofrer impactos econômicos.

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Guerra em Gaza ampliou o volume de assistência

Um estudo acadêmico publicado no ano passado concluiu que os governos de Joe Biden e Donald Trump forneceram pelo menos 21,7 bilhões de dólares (aproximadamente R$ 119 bilhões) em assistência militar a Israel após o início da guerra em Gaza, em 2023.

O levantamento foi divulgado no segundo aniversário dos ataques do Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023, evento que desencadeou o conflito.

Outro estudo, publicado pelo projeto Costs of War, da Universidade Brown, estimou que os Estados Unidos gastaram cerca de 10 bilhões de dólares adicionais (aproximadamente R$ 55 bilhões) em operações de segurança e assistência militar no Oriente Médio ao longo dos dois anos anteriores.

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gq/md (DW, Reuters, AP)