Trump apoia anúncio republicano que usa mãe de rival para atacá-la nos EUA
Propaganda de Vivek Ramaswamy em Ohio custou US$ 4 milhões e expõe traumas de infância da candidata Amy Acton

Donald Trump, presidente dos Estados Unidos
REUTERS/Evan Vucci
Às vésperas das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, uma propaganda política orçada em 4 milhões de dólares provocou uma forte crise interna no Partido Republicano e gerou repúdio bipartidário. O candidato ao governo do estado de Ohio, Vivek Ramaswamy, colocou no ar um comercial de TV que utiliza a própria mãe de sua adversária, a democrata Amy Acton, para atacá-la publicamente.
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No vídeo, a mãe da candidata, Donna Arthur, afirma que a filha "mentiu a vida inteira" e pede aos eleitores que não votem nela.
O anúncio expôs publicamente um grave trauma familiar ocorrido há quase cinco anos. Registros judiciais revelam que Amy e a mãe não se falam há cerca de cinco décadas, desde quando a democrata, ainda na adolescência, denunciou ter sofrido repetidos abusos sexuais cometidos pelo próprio padrasto. O homem chegou a ser indiciado pela Justiça, mas fugiu junto com a mãe de Amy e faleceu antes de ser julgado.
A veiculação da peça publicitária gerou forte reação de políticos democratas e republicanos, que exigiram a remoção do material do ar. No entanto, o presidente Donald Trump interveio na polêmica para defender Ramaswamy, classificando o anúncio comercial como uma "mina de ouro". Questionado sobre os abusos sofridos por Acton na infância, Trump declarou desconhecer o histórico familiar da opositora, mas reforçou que ela é um "alvo legítimo de ataques políticos".
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Modelo de financiamento e regras de transmissão
Diferente do sistema eleitoral brasileiro, a legislação dos Estados Unidos não prevê horário eleitoral gratuito e obrigatório na televisão. As campanhas compram espaços publicitários diretamente com os veículos de comunicação comercial, garantindo maior exposição aos candidatos que arrecadam mais recursos financeiros.
Além disso, a Constituição norte-americana proíbe as emissoras de TV de censurar propagandas políticas de candidatos regulamentados, e não existe um órgão ou colegiado central encarregado de avaliar se o conteúdo transmitido possui teor difamatório antes da exibição.
Analistas políticos avaliam que a estratégia agressiva de Vivek Ramaswamy pode ter um efeito reverso nas urnas, gerando onda de simpatia do eleitorado em relação a Amy Acton a apenas 12 dias do pleito. Até o momento, o candidato republicano recusa-se a retirar o anúncio do ar ou apresentar pedidos formais de desculpas.
