Votação nos EUA tem alta segurança e auditabilidade, afirma advogada
Em entrevista ao Jornal Gente, a advogada eleitoralista Franciele Campos detalha a rotina da votação americana.

A lisura e a segurança do processo eleitoral dos Estados Unidos foram atestadas por uma comitiva internacional de observadores que acompanhou a votação nos condados de Broward e Miami-Dade, no estado da Flórida. Em entrevista ao Jornal Gente, da Rádio Bandeirantes, a advogada e professora de Direito Eleitoral Franciele Campos relatou a experiência de fiscalizar a preparação das cédulas, o voto antecipado (early voting) e a contagem dos votos em cartórios com salas envidraçadas e checagem auditável.
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Segundo a especialista, que integra a missão da organização Transparência Eleitoral, a experiência em solo americano desconstrói narrativas de fraude e revela um sistema profundamente descentralizado e focado na autonomia local.
Contraste com a Singularidade do Modelo Brasileiro
Ao analisar as diferenças entre as duas nações, Franciele e a bancada do programa ressaltaram a estrutura única do sistema brasileiro. No Brasil, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) acumula a gestão executiva das urnas, o poder de julgar contestações e a prerrogativa de emitir resoluções com força de lei — uma concentração de atribuições que causa surpresa em observadores internacionais.
"Nos Estados Unidos, não existe um Poder Judiciário focado em organizar o pleito. Quem comanda os cartórios são autoridades eleitorais eleitas pelo próprio povo no condado. Na América Latina, os observadores ficam chocados ao saberem que uma disputa presidencial no Brasil pode gerar mais de mil processos judiciais", explicou a advogada.
Cédulas Extensas e Voto Participativo
Outro ponto de destaque é o formato das cédulas de papel, que justifica a manutenção do voto via correio e presencial por escaneamento. Diferente da urna eletrônica brasileira, focada na escolha rápida de candidatos, os eleitores americanos tomam de 10 a 20 decisões diretas no mesmo pleito.
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As cédulas locais incluem:
- Emendas Constitucionais e Referendos: Consultas populares sobre tributos estaduais, regras de apostas e direitos civis de condenados.
- Cargos do Executivo e Judiciário Local: Escolha direta de juízes, promotores, xerifes e secretários municipais de Agricultura.
De acordo com a especialista, a complexidade do documento faz com que as próprias autoridades eleitorais incentivem o eleitor a levar o celular para a cabine de votação para pesquisar propostas e consultar ferramentas de inteligência artificial. Para Franciele Campos, a descentralização norte-americana aproxima o cidadão da tomada de decisões reais da sua comunidade.
