Do projeto à prateleira: a realidade do design de produtos em escala
Da primeira linha desenhada ao produto na prateleira, o design de consumo é resultado de uma cadeia de decisões

Do projeto à prateleira:
Para quem compra um produto em uma loja, o processo parece simples: uma ideia é transformada em um objeto, fabricada e colocada à venda. Para o designer industrial, porém, existe uma longa distância entre o primeiro esboço e aquilo que finalmente chega às mãos do consumidor.
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Materiais, custos, processos de fabricação, embalagem, logística e comportamento do usuário estão entre os fatores que precisam ser considerados antes que um projeto possa ser produzido em larga escala. É nesse espaço entre criatividade e execução que o design industrial encontra uma de suas maiores complexidades.
Eduardo Mautner, designer industrial brasileiro radicado em Nova York, conhece esse processo a partir da experiência com produtos desenvolvidos para o mercado de consumo. Formado com honras em Industrial Design pela Rhode Island School of Design (RISD), ele participou da criação de produtos comercializados por grandes varejistas americanos, como Target, Walmart e The Home Depot.
“As pessoas geralmente veem apenas o produto final, mas entre uma ideia e uma prateleira existem inúmeras decisões. O design acontece justamente nesse processo de equilibrar criatividade, fabricação e experiência do usuário”, explica Eduardo.
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Quando a criatividade encontra a realidade da produção
Um conceito pode funcionar perfeitamente em um desenho ou protótipo, mas isso não significa que esteja pronto para ser produzido. Quando um projeto entra na etapa de desenvolvimento, questões práticas passam a determinar suas características.
Qual material será utilizado? Como o produto será fabricado? É possível manter determinada característica quando milhares de unidades forem produzidas? Como ele será embalado, transportado e utilizado?
Para Eduardo, essas perguntas fazem parte do próprio processo criativo. O trabalho do designer não termina quando a forma do produto está definida; é preciso entender como aquela solução poderá existir no mundo real.
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Sua formação na RISD contribuiu para essa visão. Durante o curso, recebeu o Marc Harrison Design Excellence Award, reconhecimento concedido a um dos alunos de destaque do programa. A experiência reforçou a importância de compreender as consequências de cada decisão de projeto.
“Uma escolha que parece pequena no início pode influenciar o material, a fabricação, a durabilidade e até a experiência de quem vai usar o produto. Quando você trabalha em escala, essas pequenas decisões ganham uma dimensão muito maior”, afirma.
Projetar para milhares de consumidores
A escala também muda a maneira como o designer enxerga o público. Um produto destinado ao mercado de massa precisa funcionar para pessoas com diferentes hábitos, necessidades e expectativas.
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Ao longo de sua carreira, Eduardo contribuiu para o desenvolvimento de produtos em categorias como eletrônicos de consumo, artigos para casa, presentes, acessórios de moda e produtos domésticos. Muitos desses projetos foram comercializados em centenas de milhares de unidades.
Atualmente, como Lead Designer na Merkury Innovations, em Nova York, trabalha com produtos que incluem soluções de iluminação, pequenos eletrônicos e artigos de papelaria.
Nesse ambiente, criatividade e viabilidade comercial precisam caminhar juntas. Um projeto pode passar por mudanças de materiais, componentes ou processos antes de chegar ao consumidor, mas o objetivo é preservar aquilo que torna a solução funcional e relevante.
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Essa experiência também está presente em projetos autorais de Eduardo. Um deles, o Kiko Catnip Bubbles, desenvolvido para a Kikkerland Design Inc., recebeu a distinção Highly Commended no UK Gift of the Year Awards 2026, na categoria Pet Gift.
Para o designer, a experiência de trabalhar com produtos de grande escala mostra que o sucesso de um projeto não está apenas na ideia inicial.
“Um bom projeto não é apenas aquele que funciona como conceito. É aquele que consegue continuar funcionando quando sai do estúdio, passa pela fábrica e pela logística e finalmente chega às mãos do consumidor”, conclui Eduardo.
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Da primeira linha desenhada ao produto colocado em uma prateleira, o design de consumo é resultado de uma cadeia de decisões. E, quando milhares de pessoas utilizarão aquele produto, cada uma delas pode fazer diferença.
Autor: Mainara Screpanti
