Índice de conservadorismo cresce no Brasil e atinge maior nível desde 2018
Pesquisa aponta avanço do conservadorismo no país, impulsionado pelo apoio recorde a medidas mais rígidas de segurança

IA
O comportamento da sociedade brasileira passa por uma nova onda de transformação em 2026. É o que aponta a edição mais recente do Índice de Conservadorismo de Costumes da Ipsos-Ipec, divulgada neste ano. O indicador — que mede o posicionamento da população em temas como segurança, família e valores morais em uma escala de 0 (totalmente progressista) a 1 (totalmente conservador) — atingiu a marca de 0,680, o maior patamar registrado desde 2018.
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Após uma leve retração observada no ano passado, quando o índice marcou 0,652, o cenário atual mostra um claro redesenho de prioridades e opiniões no país. Mas como esse movimento se reflete no cotidiano, nos debates em família e na forma como diferentes gerações enxergam o futuro?
A força da segurança pública no centro dos debates
O principal motor desse avanço está concentrado nas pautas ligadas à segurança pública, que continuam mobilizando o maior nível de apoio popular e registrando altas expressivas:
- Prisão perpétua para crimes hediondos: lidera a preferência nacional, com 78% de aprovação (um crescimento de 6 pontos percentuais em relação a 2025).
- Redução da maioridade penal: alcança 71% de apoio, também crescendo 6 pontos.
- Pena de morte: protagoniza uma das mudanças mais significativas da pesquisa. Pela primeira vez na série histórica do estudo, o apoio à medida passa a ser majoritário, atingindo 52% (enquanto a rejeição recuou para 40%).
Para especialistas em comportamento social, a alta adesão a essas propostas reflete uma busca contínua por rigor e proteção diante dos índices de criminalidade, pautando conversas que vão desde o ambiente corporativo até os encontros de fim de semana.
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O retrato da diversidade: o que pensam os brasileiros sobre costumes e liberdades?
Enquanto o eixo da segurança endurece o tom, temas ligados aos direitos civis e à autonomia individual mantêm dinâmicas distintas:
- Casamento entre homossexuais: apresenta estabilidade, com o apoio passando de 38% para 41%, empatando numericamente com a oposição (também em 41%). Contudo, os patamares de favorabilidade continuam abaixo do pico alcançado entre 2021 e 2023 (quando atingiram 44%).
- Legalização do aborto: segue com baixa adesão na sociedade brasileira. Apenas 17% da população se declaram favoráveis à pauta, enquanto 74% mantêm posição contrária, cenário praticamente inalterado nos últimos anos.
No panorama geral, a proporção de brasileiros classificados com um "alto" grau de conservadorismo saltou de 49% para 55% em apenas um ano, enquanto o grupo de grau médio recuou para 38%.
Jovens, mulheres e regiões em destaque
Outro dado que chama atenção no estudo de 2026 é a forma como o conservadorismo se capilariza por diferentes estratos demográficos. O avanço não é homogêneo, mas surpreende em grupos que costumam ditar novas tendências de consumo e comportamento:
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- Jovens de 25 a 34 anos: registraram a maior alta entre todas as faixas etárias, com o índice saltando de 0,643 para 0,696.
- Moradores das regiões Norte e Centro-Oeste: lideram a variação regional do país, indo de 0,643 para 0,710.
- Classe de alta renda (acima de 5 salários mínimos): passou de 0,665 para 0,708, alcançando o patamar mais elevado da série histórica para esse público.
- Mulheres: após puxarem uma queda no índice no ano passado, registraram recuperação e agora pontuam em 0,650 (ante 0,619 em 2025).
- Moradores das capitais: também acompanharam a tendência, subindo de 0,637 para 0,685.
Em contrapartida, a região Sudeste foi a única a registrar um leve recuo no indicador, passando de 0,669 para 0,659.
O impacto no estilo de vida e nas relações
Comportamentos, escolhas de consumo e a forma como as famílias se posicionam diante de temas polêmicos ganham novas camadas de complexidade em 2026. À medida que a sociedade brasileira demonstra um perfil mais conservador, marcas, criadores de conteúdo e formadores de opinião precisam redobrar a atenção para dialogar com um público que valoriza a segurança, a ordem e os valores tradicionais com intensidade renovada.
