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Luxo é respirar: turismo de bem-estar ganha espaço em meio à natureza

A busca pelo equilíbrio entre a produtividade urbana e a saúde mental consolidou uma nova categoria no mercado de viagens, o turismo wellness

4 min

24/05/2026 05:00 • Atualizado há 153 dias

Luxo é respirar: turismo de bem-estar ganha espaço em meio à natureza

A rotina corrida e estressante de grandes centros urbanos, que acompanham os processos de digitalização - e uma enxurrada de informações segundo a segundo - motivam cada vez mais o setor de turismo a seguir tendências de desaceleração. Nos últimos meses, a busca por refúgios, próximos à natureza, principamente, cresceu significativamente. Descansar em locais próximos aos grandes centros urbanos deixou de ser uma questão de logística para se tornar uma questão de saúde e bem-estar.

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O turismo wellness ou o sleep tourism (turismo de bem-estar ou turismo do sono, na tradução para o português), além do turismo regenerativo, vem ganhando cada vez mais espaço em todo o mundo e não somente no Brasil. O setor deve movimentar cerca de US$ 9 trilhões até o ano de 2028 e, no Brasil, segundo dados da Embratur, os gastos por pessoa com o turismo wellness já representam uma alta de 130% em relação aos pacotes turísticos tradicionais.

Em 2026, o Brasil desponta como o líder do mercado wellness na América Latina, aproveitando a biodiversidade para oferecer experiências para aqueles que não conseguem replicar o contato com a natureza com tanta facilidade.

Silêncio, por favor

O conceito de hushpitality (hospitalidade do silêncio) também está ganhando força em resposta ao esgotamento digital. Estudos recentes de neurociência ambiental apontam que a exposição direta à natureza reduz os níveis de cortisol no organismo em tempo recorde. “Se você tem uma opção para fugir da correria da cidade, e sem precisar passar horas na estrada para chegar ao local, eu acho que temos uma combinação perfeita”, diz Marta Ishioka, de 74 anos, que foi buscar ‘silêncio’ em meio à natureza em um resort localizado em Igaratá, cidade distante apenas 80 quilômetros de São Paulo, Matiz Igaratá. “Faz muita diferença em nossa vida acordar com o som dos bichos e não de um avião passando sobre nossas casas”.

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No Matiz Igaratá, a desconexão da turista foi facilitada pela arquitetura integrada a um lago e áreas de preservação da mata atlântica, permitindo que ela e a família (incluindo o cachorro chamado Neve) substitituíssem ruído das notificações e do tráfego pelo som da brisa e da fauna local. “Ela [Neve] ficou curiosa com os patos”, diverte-se a tutora.

O resort aproveita sua localização privilegiada para oferecer atividades que reconectam o corpo ao ambiente, como trilhas contemplativas, estimulando a prática do shinrin-yoku (banho de floresta) e esportes de baixo impacto como o beach tenis e contemplação e avistamento de aves (birdwatching), além de comodidades como pensão completa, que inclui todas as refeições dentro do hotel.

Deslocamentos rápidos e curtos

Como o deslocamento longo gera estresse e jet lag (mesmo em voos curtos), o turismo local cresceu em torno das grandes capitais. Viajar apenas 80km ou 100km para "dormir em outro lugar" permite que o corpo entre em estado de relaxamento quase imediatamente após sair do trabalho, maximizando as horas de descanso real no fim de semana.

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Situado a cerca de 80 km da capital paulista, pela Rodovia Dom Pedro I, o resort Matiz Igaratá se posiciona como um refúgio de fácil acesso para escapadas de fim de semana. O conceito do resort combina a infraestrutura de um hotel de lazer com serviços de spa e bem-estar em uma área de preservação ambiental.

Os empresários João Lucas Ribeiro e Vanessa visitaram o local no último feriado prolongado e aproveitaram para aprender sobre vinhos e espumantes. “Eu sempre gostei , mas poder aprender mais sobre vinhos e espumantes nacionais é sensacional”, dizem, após serem surpreendidos por uma degustação realizada pela Cooperativa Vinícola Garibaldi, no Matiz Igaratá. A ideia foi levar ao conhecimento dos hóspedes informações técnicas e detalhadas sobre a produção das bebidas, no sul do Brasil.

Ao atrair o público paulistano que busca refúgio em feriados e finais de semana, o resort fomenta a economia regional e o turismo regenerativo — aquele que preserva o meio ambiente e valoriza a mão de obra local.

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Produção local

Igaratá, no interior de São Paulo, possui uma dinâmica econômica onde o agronegócio e o turismo se entrelaçam, fortemente influenciados pela presença da Represa de Jaguari.

Embora o município tenha um PIB total estimado em cerca de R$ 353,2 milhões, sua força no campo não se resume apenas à produção de commodities, mas sim a uma mistura de pecuária, agricultura familiar e, principalmente, ao agronegócio focado em serviços de turismo e lazer.

Tradicionalmente conhecida por suas paisagens montanhosas e pela imensa Represa do Jaguari consolida sua força econômica por meio de uma agropecuária resiliente como a pecuária de corte e leite, na silvicultura e em nichos emergentes como a piscicultura. O relevo acidentado da região favorece a pastagem, tornando a cidade um ponto importante de fornecimento para laticínios e frigoríficos do Vale do Paraíba.

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