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Resumo
O Carnaval é marcado por festas prolongadas, consumo excessivo de álcool e calor intenso, fatores que aumentam o risco de problemas cardíacos como a síndrome do coração festeiro, caracterizada por arritmias após ingestão abusiva de bebidas alcoólicas, podendo afetar até pessoas jovens sem histórico prévio de doenças cardíacas.
Dados do Ministério da Saúde mostram crescimento expressivo dos casos de infarto entre pessoas com menos de 40 anos, com internações aumentando cerca de 150% nas últimas décadas, especialmente entre jovens que representam grande parte do público do Carnaval; fatores como sedentarismo, sobrepeso, má alimentação, sono insuficiente e estresse contribuem para essa vulnerabilidade.
Especialistas recomendam prevenção com hidratação frequente, alimentação leve, moderação no consumo de álcool, pausas para descanso e atenção aos sinais do corpo, além de buscar atendimento médico diante de sintomas cardíacos e manter hábitos saudáveis durante todo o ano para reduzir riscos durante períodos festivos e de calor extremo.
O Carnaval é tradicionalmente marcado por festas prolongadas, consumo elevado de bebidas alcoólicas e exposição ao calor intenso. O que tem chamado a atenção de médicos, no entanto, é o impacto desses excessos sobre a saúde do coração, especialmente entre pessoas jovens. Um dos quadros associados a esse cenário é a chamada síndrome do coração festeiro, condição que pode provocar alterações no ritmo cardíaco após ingestão exagerada de álcool.
O problema, conhecido na literatura médica como Holiday Heart Syndrome, ocorre quando o consumo excessivo de bebidas alcoólicas em um curto período interfere na condução elétrica do coração, levando a batimentos irregulares. A condição pode surgir mesmo em pessoas sem histórico de doença cardíaca e não está restrita a uma quantidade específica de álcool considerada segura.
O que é a síndrome do coração festeiro
A síndrome do coração festeiro é caracterizada, principalmente, pelo surgimento de arritmias após episódios de consumo abusivo de álcool. Os sintomas mais comuns incluem palpitações, cansaço intenso, falta de ar e mal-estar. Em alguns casos, as alterações no ritmo cardíaco podem persistir ou evoluir dias depois, exigindo avaliação médica.
Segundo o cardiologista Caio Ribeiro Alves Andrade, especialista em insuficiência cardíaca e cofundador da CardioWays, mesmo quando os sintomas parecem passageiros, a recomendação é procurar um médico para investigação. “Em situações mais graves, podem surgir arritmias importantes, inclusive em pessoas jovens e sem doenças cardíacas prévias”, explica.
Infarto cresce entre pessoas com menos de 40 anos
Dados do Ministério da Saúde indicam um aumento expressivo dos casos de infarto em pessoas com menos de 40 anos nas últimas duas décadas. As internações cresceram cerca de 150% no período. Entre jovens de 25 a 29 anos, a taxa de casos triplicou, passando de 1,4 para 4,4 a cada 100 mil habitantes. Já na faixa de 35 a 39 anos, o índice subiu de 9,3 para 18 casos por 100 mil habitantes.
Essas idades coincidem com o perfil predominante do público que frequenta blocos e festas de Carnaval. Pesquisas recentes mostram que quase metade dos jovens entre 18 e 29 anos pretendem participar da folia, além de um percentual significativo de adultos entre 30 e 49 anos.
Especialistas apontam que fatores como sedentarismo, sobrepeso, alimentação inadequada, poucas horas de sono, estresse e consumo frequente de ultraprocessados aumentam a vulnerabilidade cardiovascular, tornando o organismo mais suscetível aos impactos dos excessos comuns nesse período.
Calor extremo também sobrecarrega o coração
As ondas de calor registradas nos últimos anos intensificam os riscos durante o Carnaval, sobretudo em blocos de rua, onde milhares de pessoas permanecem expostas ao sol por longos períodos. As altas temperaturas favorecem a desidratação, reduzem a pressão arterial e fazem o coração trabalhar mais rápido para manter a circulação sanguínea.
Esse esforço adicional pode provocar tontura, mal-estar e agravar condições cardíacas preexistentes ou silenciosas. Em ambientes de aglomeração, a combinação entre calor, álcool e cansaço físico aumenta ainda mais o risco.
Como se prevenir durante a folia
A prevenção passa, principalmente, pela moderação. Especialistas recomendam atenção aos sinais do corpo, hidratação frequente, pausas para descanso, alimentação leve e adequada, além de evitar o consumo excessivo de álcool e outras substâncias. Também é importante respeitar os próprios limites físicos e buscar atendimento médico imediato em caso de sintomas como dor no peito, falta de ar ou palpitações persistentes.
Manter exames de rotina em dia e adotar hábitos saudáveis ao longo do ano são medidas fundamentais para reduzir os riscos, não apenas durante o Carnaval, mas em qualquer período de maior esforço físico ou exposição a situações extremas.

