Perfumes com cheiro de bruxa entram no radar da perfumaria
A perfumaria de nicho ampliou o interesse por fragrâncias que fogem das construções florais, frutadas e adocicadas mais conhecidas. Entre elas estão os

Divulgação/Mecca
A perfumaria de nicho ampliou o interesse por fragrâncias que fogem das construções florais, frutadas e adocicadas mais conhecidas. Entre elas estão os chamados witchy perfumes, ou perfumes de bruxa, expressão usada para reunir criações com notas terrosas, herbais, amadeiradas, resinosas e defumadas.
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O nome não identifica uma família olfativa oficial, mas uma estética que passou a ganhar maior visibilidade entre marcas, publicações de beleza e consumidores.
A nomenclatura surgiu entre aficionados como uma maneira de descrever perfumes associados ao imaginário da bruxaria, dos antigos boticários, das florestas, das ervas e dos rituais. A expressão ganhou força com a aproximação entre perfumaria, estética gótica, fantasia e o interesse renovado por herbalismo e universos místicos.
Algumas características ajudam a reconhecer essa estética:
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- Terra e floresta: patchouli, vetiver, musgo e acordes de solo úmido.
- Ervas: sálvia, alecrim, tomilho e notas aromáticas que lembram boticários.
- Fumaça de incenso: olíbano, mirra, madeiras queimadas e acordes defumados.
- Resinas e especiarias: ládano, benjoim, cravo, cardamomo e pimentas.
- Frutas e flores escuras: ameixa, cereja, jasmim e flores noturnas acrescentam contraste.
Algumas casas transformaram esse imaginário em perfumes bastante reconhecíveis. Häxan, da Heretic Parfum, combina uma identidade ligada à bruxaria com musgo e uma construção terrosa. Coven, de Andrea Maack, explora galbanum, musgo e cravo. Witchy Woo, da Vyrao, aposta em pimentas, patchouli, ládano, almíscar e notas florais. A Lush entra nesse universo com Lord of Misrule, sustentado por patchouli e pimenta. Já The Bewitching Yasmine, da Penhaligon’s, leva a estética para um território mais luxuoso, com café, cardamomo, jasmim, incenso e oud.
A ligação entre perfume e ritual é muito anterior à tendência. A própria palavra perfume deriva do latim per fumum, expressão relacionada à fumaça. Materiais aromáticos, ervas e resinas atravessaram séculos ligados a cerimônias, práticas espirituais e diferentes formas de perfumar ambientes e o corpo.
A novidade está na forma como essas referências passaram a ser embaladas como identidade. Uma seleção atual de fragrâncias terrosas, herbais e esfumaçadas mostra como casas de perfumaria estão explorando essa atmosfera por caminhos bastante diferentes.
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Entre os perfumes que mais aparecem nas seleções atuais e nas conversas de aficionados estão:
- Coven, Andrea Maack: verde, terroso e resinoso.
- Häxan, Heretic Parfum: musgo, flores e atmosfera de floresta.
- Witchy Woo, Vyrao: especiarias, patchouli, ládano e almíscar.
- Lord of Misrule, Lush: patchouli, pimenta e perfil quente.
- Hexensalbe, Stora Skuggan: criação diretamente inspirada no imaginário da bruxaria.
- Dryad e Spell 125, Papillon Artisan Perfumes: nomes recorrentes entre fãs dessa estética.
- Absinth, Nasomatto: verde e amadeirado, frequentemente associado ao universo witchy.
“Perfume de bruxa”, portanto, não descreve uma fórmula específica. É uma maneira de identificar fragrâncias construídas a partir de referências olfativas e culturais que hoje ocupam um espaço mais visível na perfumaria contemporânea.
