Band Minas

Leonardo Jardim concede entrevista exclusiva ao DDBMG

Treinador que classificou a Raposa às semis da Copa do Brasil

Por Redação
REDAÇÃO

12/09/2025 • 16:13 • Atualizado em 12/09/2025 • 16:13

Em entrevista exclusiva à TV Band Minas, o técnico do Cruzeiro, Leonardo Jardim, abriu o coração e detalhou os pilares de sua filosofia de trabalho, que têm transformado o ambiente e os resultados da equipe celeste. Entre a emoção de uma vitória e a gestão científica do elenco, o treinador revelou o caminho para o sucesso rápido e a construção de um futuro promissor para o clube mineiro.

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Jardim destacou a importância de uma relação humanizada no futebol, algo que, segundo ele, parte do próprio Pedro Lourenço e se estende a todo o ambiente do clube. Essa conexão foi visível após a vitória contra o Atlético no Mineirão, que garantiu a classificação na Copa do Brasil e emocionou o treinador. “Sou um cara sensível, muito ligado à minha família e aos meus bichos. Para mim, quando a relação profissional não é humanizada, não funciona”, disse, reforçando que fala sempre “do coração” e sem esconder nada. Para ele, o futebol vai além dos resultados: é também sobre buscar a felicidade das pessoas envolvidas, inclusive dos torcedores.

Desde que chegou ao clube, em 10 de fevereiro, o treinador implantou o conceito de “gerir” os jogadores, e não simplesmente “poupar”. Explicou que a gestão envolve acompanhamento diário e detalhado das cargas de trabalho e recuperação, com apoio dos departamentos de Fisiologia e Saúde, garantindo que cada decisão seja baseada em análise individual. Para Jardim, manter jogadores parados compromete ritmo e qualidade, algo que procura evitar.

Um exemplo foi a rápida recuperação de Caio Jorge, que voltou aos gramados apenas uma semana após uma lesão sofrida na seleção brasileira. O técnico rejeitou a ideia de “milagre”, explicando que a gravidade e a localização da lesão são determinantes. No caso do atacante, a contusão ocorreu no adutor, em uma área periférica, o que possibilitou um protocolo de sete dias. Ele elogiou o departamento médico, que adota um processo inovador chamado “ortobiológico”, baseado no uso de material biológico do próprio atleta para regeneração muscular — tecnologia ainda não utilizada por outros clubes no Brasil.

Jardim também comentou sua adaptação ao Cruzeiro, explicando que sua experiência de mais de 20 anos trabalhando com jogadores brasileiros facilitou o processo. Ele procura explorar ao máximo o potencial dos atletas, selecionando aqueles que se encaixam melhor em seu modelo de jogo. Jogadores como Wallace, por exemplo, têm menos espaço não pela qualidade, mas pelo perfil tático, já que o treinador busca volantes com maior projeção e deslocamento, como Lucas e Romero. Seu olhar está voltado não apenas para o presente, mas também para as necessidades futuras do elenco, como a busca por um lateral-direito jovem ou maior velocidade nas pontas.

Na parte estratégica, Jardim detalhou que sua equipe procura fechar o jogo interior e explorar os corredores, especialmente em cruzamentos, onde considera o Cruzeiro mais forte. Ele deu ênfase à adaptabilidade da equipe durante os jogos e destacou a importância das bolas paradas, que representam até 35% dos gols no futebol moderno. Por isso, dedica entre 30% e 40% do tempo de treino a essas situações, contando inclusive com dois treinadores específicos, um para a defesa e outro para o ataque.

Cauteloso com o excesso de euforia, o técnico frisou que o objetivo é dar consistência ao projeto do Cruzeiro e recolocar o clube entre as principais forças do futebol brasileiro. Para ele, a evolução nunca acontece em linha reta, mas em altos e baixos, e o essencial é que o saldo final seja positivo. Sua filosofia se apoia em três pilares: atitude, competitividade e intensidade. “Hoje em dia, uma equipe que não seja competitiva, que não cuide do físico e não trabalhe duro, não alcança sucesso. O trabalho sempre vem antes do resultado”, concluiu.

Por fim, Jardim exaltou a paixão da torcida cruzeirense, que comparou à de clubes como Sporting e Olympiacos, e ressaltou a energia única de um Mineirão lotado. Para ele, o futebol só faz sentido quando vivido com emoção e conexão com as pessoas. “Nós trabalhamos para elas”, afirmou, reforçando a importância da relação entre time e torcida.

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