“A solidão imposta é dolorida”, diz Amyr Klink sobre isolamentos

O Canal Livre deste domingo, 6, recebe o navegador, escritor e palestrante Amyr Klink, com as histórias e as lições de um especialista em enfrentar desafios e a solidão do confinamento. A apresentação é de Rodolfo Schneider. Os jornalistas Fernando Mitre e Yan Boechat participam como entrevistadores.Veja mais:- Adeus à miopia: pesquisadores inventam colírio que corrige problemas de visão- SUS já gastou R$ 15 milhões para tratar ciclistas acidentados; SP lidera ranking
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Amyr comentou sobre os sentimentos de medo e solidão que o isolamento pode causar, algo que muitos estão sentindo – talvez pela primeira vez – durante a pandemia de coronavírus. “A solidão imposta é dolorida. O fato de não ter perspectiva, de não saber o tempo que vai durar são complicadores. Apesar dos tempos de isolamento que eu vivi, eu não sofri”, conta.
Em uma das mais famosas aventuras de Amyr Klink, ele passou 100 dias no mar em uma jornada de Namíbia, na África, até Salvador na volta para o Brasil no ano de 1984. “Eu adorei a viagem. Foram 100 dias sem ver um oficial de Justiça, um gerente de banco, vizinhas chatas”, ri.
O navegador também falou de sua relação com o medo. Acreditem ou não, ele diz que morre de medo do mar (“por isso faço barcos bem-feitinhos”, brincou). “O ser humano é um bicho engraçado, a gente cultua certos sentimentos, como o amor e o ódio, e o medo também é um deles. Todo mundo gosta e até pagamos para ter medo em parques de diversões, trem fantasma”.
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Amyr diz que não teve um medo específico com relação a covid-19, mas sentiu receio pelos outros. “Pessoalmente não tenho medo de morrer, mas fiquei com medo por pessoas próximas queridas que pudessem ‘empacotar’ com essa história”, pontua. Ele chegou a perder uma amiga, que trabalhava na casa dele há mais de uma década e acabou falecendo por causa da doença.
Atenção ao essencial
Na visão de Amyr, a pandemia pode nos ajudar a ficar “mais ligados”. “Espero que as pessoas tenham aproveitado esse período para prestar mais atenção no essencial; enxergar o tamanho do lixo que a gente produz”, exemplifica.
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“Viver em ambientes, por longos períodos, em que chances de perder tudo, te faz mudar um pouco seus valores. Eu já sinto essa tendência na geração das minhas filhas, que não estão tão preocupadas em ter uma casa própria (...) acabei aprendendo muito com essa geração também”.
O navegador dá como uma dica para passar por momentos de dificuldades a criação de metas. “A única coisa que posso dizer que ajuda é você construir metas. Metas para o final do ano, meio de 2021, qualquer meta”.
Amyr diz ainda que tem um “otimismo dolorido” com relação a tudo o que estamos vivendo. “Tirando o fato das mortes em uma tragédia e vários setores da economia sofrerem, vejo que as pessoas com renda mais baixa estão conseguindo um primeiro imóvel [devido juros mais baixos], o setor de agronegócio e tecnologia indo bem; gostaria ainda que começássemos a ficar mais tolerantes também”, ressalta.
