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Ancelotti exalta "jogo mais completo" da Seleção e plano tático da virada

Em coletiva após vitória dramática contra o Japão, treinador explica mudanças no intervalo, elogia impacto de Martinelli e Endrick, e freia euforia sobre favoritismo: "Queremos jogar em um nível mais alto".

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29/06/2026 20:15 • Atualizado há 125 dias

Ancelotti exalta "jogo mais completo" da Seleção e plano tático da virada

A Seleção Brasileira avançou para as quartas de final da Copa do Mundo de 2026 com uma boa dose de drama e repertório tático. Após sair atrás no placar no início do confronto contra o Japão, válido pela fase de 16 avos de final, a equipe comandada por Carlo Ancelotti buscou a virada por 2 a 1 na segunda etapa. Na sala de imprensa em Houston, o treinador italiano classificou o duelo como o "mais completo" do Brasil no Mundial até aqui, justamente pela capacidade do grupo de reagir à adversidade.

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Mudança de planos e o "paredão" japonês

Ancelotti admitiu que a estratégia inicial de jogo foi neutralizada pela forte organização defensiva do adversário. O plano de ter superioridade numérica no meio-campo para infiltrar passes curtos encontrou um Japão muito bem postado com uma linha de cinco defensores.

"Tivemos mais problemas na primeira parte. O planejamento de filtrar mais passes por dentro não saiu bem pela qualidade defensiva do rival. No intervalo, eu disse que faltava paciência, porque o gol sairia cedo ou tarde. O importante era manter o equilíbrio para não sofrer contra-ataques que complicassem de vez a partida", explicou o técnico.

A solução encontrada pela comissão técnica foi mudar o estilo de ataque no segundo tempo, explorando a largura do campo e aumentando o volume de cruzamentos na área. As substituições cirúrgicas ditaram o ritmo da virada: Gabriel Martinelli entrou para dar "frescor e intensidade" — marcando o gol decisivo e permitindo que Vinícius Júnior jogasse mais aberto —, enquanto o jovem Endrick (citado como 'Henrique' pela imprensa estrangeira) entrou na vaga de Lucas Paquetá para dar mais peso físico à grande área.

Tabu quebrado e o "espírito de Bernabéu"

A vitória em Houston quebrou um tabu histórico: foi a primeira virada da Seleção Brasileira em um mata-mata de Copa do Mundo desde o triunfo por 2 a 1 sobre a Inglaterra, nas quartas de final da Copa de 2002. Confrontado com o dado trazido pelo jornalista PVC e questionado se a atmosfera da partida relembrou as noites históricas de viradas do Real Madrid no Santiago Bernabéu, Ancelotti endossou a maturidade do elenco.

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"Estamos fortes, consistentes e contentes. Sabemos o caminho que temos que seguir. O time mostrou muita raça e estava perfeitamente preparado física e mentalmente inclusive para jogar a prorrogação, caso o gol não saísse no fim. Mas no futebol moderno o sofrimento é normal, assim como o alívio", ponderou.

Casemiro exaltado e a situação de Neymar

O volante Casemiro, alvo de questionamentos de torcedores no primeiro tempo devido a um erro coletivo de saída de bola que gerou o gol japonês, terminou a partida consagrado ao marcar o gol de empate. Ancelotti fez questão de blindar o jogador e destacar sua importância extracampo.

Liderança: "Casemiro é um líder. Ninguém precisa ensinar como ele deve jogar naquela posição. Ele cometeu um erro de passe na saída, mas atuou muito bem no restante do jogo e o gol dele foi a chave para a nossa reação", defendeu o comandante.

Sobre Neymar, que permaneceu no banco de reservas durante os 90 minutos, Ancelotti revelou que havia um plano alinhado com o camisa 10, que vem progredindo fisicamente na última semana após o período de lesão.

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"Falei com o Neymar: se o jogo não estivesse empatado até os 60 minutos, ele entraria. Estávamos guardando a entrada dele especificamente para o cenário de uma eventual prorrogação, porque ele está bem. Como conseguimos marcar o gol da vitória no tempo normal, ele não precisou entrar, mas estava tudo perfeitamente claro entre nós", revelou.

Cobrança por evolução e a "mística" da Noruega

Mesmo satisfeito com a entrega do grupo, Ancelotti manteve os pés no chão ao ser questionado se o futebol atual é suficiente para o Brasil conquistar o hexacampeonato — objetivo cobrado pela torcida brasileira.

"Nunca podemos estar contentes com o que estamos fazendo. Estamos indo bem, mas para melhorar, não podemos nos acomodar. Não estamos satisfeitos porque queremos jogar em um nível ainda mais alto nas quartas de final", cravou.

O Brasil agora aguarda o vencedor do confronto entre Noruega e Costa do Marfim para conhecer seu adversário do próximo domingo, às 17h (de Brasília). Ao ser lembrado por um jornalista internacional de que a Noruega é o único país que o Brasil jamais venceu na história do futebol masculino, Ancelotti preferiu pregar o respeito: "Temos que esperar e ver. Falar da Noruega hoje seria um desrespeito com a Costa do Marfim. Respeitamos a todos".

Ancelotti exalta "jogo mais completo" da Seleção e plano tático da virada