Andreazza: Moraes age para intimidar PF e imprensa no caso Banco Master
Para o colunista da BandNews FM, ministro do STF atua como 'vítima e juiz' e usa inquérito para desviar foco das suspeitas sobre ele e Dias Toffoli

O âncora e colunista de política da BandNews FM Carlos Andreazza afirmou que a decisão do ministro Alexandre de Moraes de investigar vazamentos no caso do Banco Master é uma manobra para intimidar a Polícia Federal e a imprensa. Para ele, o ministro age como "vítima, investigador, acusador e juiz" em um escândalo que o atinge diretamente.
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A Polícia Federal vai ouvir na semana que vem os quatro servidores suspeitos de vazar dados de ministros do STF. Os investigados são três funcionários da Receita e um do Serpro – o Serviço Federal de Processamento de Dados. O objetivo é esclarecer as motivações por trás dos acessos indevidos aos sistemas.
No caso de Alexandre de Moraes, os dados fiscais da esposa dele foram acessados em agosto do ano passado a partir de uma unidade da Receita Federal em Santos, no litoral de São Paulo.
A crítica de Andreazza se concentra na atitude de Moraes de avocar para si a investigação sobre o vazamento de dados sigilosos, incluindo-a no âmbito do controverso inquérito das fake news.
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"Ele se converteu num delegado, num delegadão", criticou o colunista, argumentando que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) não deveria conduzir um processo no qual tem interesse direto.
O colunista questiona a nota divulgada pelo STF, que alega que a "exploração fragmentada e seletiva de informações sigilosas" tem sido usada para "produzir suspeitas artificiais". Andreazza rebate o argumento, listando uma série de fatos que vieram a público e que, segundo ele, não dependem de vazamentos da Receita Federal.
'Suspeitas artificiais?'
Para Carlos Andreazza, as suspeitas levantadas sobre os ministros não são "artificiais" e precisam de respostas claras, não de investigações que podem desviar o foco.
"É suspeita artificial aquela sobre Dias Toffoli, tendo sido ele relator do caso Master e sócio de alguém investigado no caso? São suspeitas artificiais as relações de Toffoli com Daniel Vorcaro?", questionou o jornalista.
Ele prosseguiu, citando o próprio Alexandre de Moraes: "É suspeita artificial o fato de Alexandre de Moraes ter frequentado a casa de Daniel Vorcaro? É suspeita artificial, com essa informação, sabermos que a mulher dele foi advogada do Banco Master?".
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Andreazza ressalta que informações como o contrato do escritório da esposa de Moraes com o banco ou as viagens de Dias Toffoli em jatinho com advogados ligados ao caso não são produto de vazamentos sigilosos e demandam esclarecimentos.
Intimidação cruzada
Na análise do colunista, a atitude de Alexandre de Moraes funciona como uma "intimidação cruzada". Ao mirar na Receita Federal, ele também envia um recado para a Polícia Federal e para a imprensa.
"Da mesma forma que houve um relatório sobre Dias Toffoli, pode haver sobre ele. Sobre as relações com Daniel Vorcaro e aquilo que estará no celular de Daniel Vorcaro", avaliou Andreazza, sugerindo que a investigação serve para inibir o avanço de outras apurações.
O jornalista ainda alertou para o risco de intimidação à imprensa, lembrando de casos passados. "Será que ele vai censurar a imprensa? Já censurou! Ou vamos nos esquecer do caso da revista Crusoé?", relembrou.
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Por fim, Andreazza defende que o caminho deveria ser o da transparência total para esclarecer as questões centrais, em vez de criar o que ele considera uma "teoria da conspiração" para desviar a atenção dos fatos que verdadeiramente importam: a conduta dos ministros do STF no caso.
