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Brasil

Condenado por assassinato em lavanderia é preso após 23 anos do crime em SP

Lucieudo Barbosa Conrado, sentenciado a 29 anos de prisão por homicídio e estupro cometidos em 2003, vivia em situação de rua na Grande São Paulo

3 min

05/05/2026 19:35 • Atualizado há 172 dias

Condenado por assassinato em lavanderia é preso após 23 anos do crime em SP

A Guarda Civil Municipal de Itapevi, na Grande São Paulo, efetuou a prisão de Lucieudo Barbosa Conrado, de 47 anos, um dos condenados pelo assassinato da comerciante Arlete Tiyomi Nakatsu. O crime, ocorrido em outubro de 2003 e conhecido como o "crime da lavanderia", causou grande repercussão na capital paulista pela violência empregada contra a vítima. Lucieudo, que estava foragido do sistema prisional, foi localizado em uma área de mata após monitoramento da cidade identificar sua presença.

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No momento da abordagem, o homem, que atualmente vive em situação de rua, confessou aos agentes que possuía débitos com a Justiça. Segundo o inspetor Porto, da GCM de Itapevi, a consulta aos sistemas de segurança confirmou que se tratava de um dos autores de um crime de alta comoção pública. O detido teria sido beneficiado por uma saída temporária e não retornou à unidade prisional, passando à condição de procurado.

Histórico do crime e condenação

Lucieudo, conhecido à época como "Barbosinha", era ex-funcionário de Arlete e foi condenado em 2006 a uma pena de 29 anos de prisão pelos crimes de homicídio triplamente qualificado e estupro. De acordo com os autos do processo, ele e um comparsa, Ronilton Soares da Luz, invadiram a lavanderia da qual Arlete era proprietária, no bairro da Saúde, Zona Sul de São Paulo.

Na ocasião, a comerciante, então com 41 anos, estava sozinha no estabelecimento. Os homens anunciaram o assalto e roubaram cerca de 800 reais do caixa. Apesar de a vítima não ter oferecido resistência, os agressores a violentaram sexualmente e a mataram a facadas. O corpo foi encontrado no local, gerando revolta entre vizinhos e familiares.

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O caso foi relembrado como um marco da violência contra a mulher em uma época em que a qualificadora de feminicídio ainda não integrava a legislação brasileira. A investigação, conduzida pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), contou com a reconstituição dos fatos, momento em que Lucieudo apresentou uma versão que alterou o rumo do inquérito.

Acusações contra o marido e absolvição

Durante as diligências policiais em 2003, Lucieudo Barbosa Conrado afirmou que o marido da vítima, Sérgio Akihiro Nakatsu, teria sido o mandante do assassinato. Segundo o depoimento do condenado, Sérgio o contratou por 3 mil reais para executar a esposa, motivado por uma herança de quase meio milhão de reais que Arlete estava prestes a receber.

Com base nessas declarações, Sérgio Nakatsu teve a prisão preventiva decretada e permaneceu foragido por 15 dias até ser capturado. O promotor de Justiça na época, Roberto Tardelli, descreveu Sérgio como uma pessoa capaz de manipular fatos. No entanto, o Tribunal de Justiça concedeu liberdade ao marido pouco tempo depois, sob o argumento de que ele possuía bons antecedentes e era réu primário.

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Em entrevista ao Brasil Urgente após ganhar a liberdade, Sérgio Nakatsu negou veementemente qualquer participação no crime e reafirmou o afeto que tinha pela esposa. O caso foi levado ao 1º Tribunal do Júri da Capital apenas em maio de 2013, dez anos após o crime. Na ocasião, o Conselho de Sentença decidiu pela absolvição de Sérgio, alegando falta de provas suficientes para comprovar sua participação no plano criminoso.

Atualmente, Sérgio Nakatsu reside no mesmo local onde o crime ocorreu. A lavanderia continua em funcionamento com uma nova fachada e é administrada por ele. Vizinhos relatam que o homem mantém uma rotina discreta e reservada desde o desfecho judicial do caso. Com a nova prisão de Lucieudo, o processo de execução de pena do condenado deve ser retomado pela Justiça paulista.

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