Brasil
Jornal da Band

Crianças denunciam crimes digitais à polícia antes de contar aos pais

O cenário reflete o medo das punições familiares e a falta de um diálogo aberto

2 min

29/10/2026 19:49 • Atualizado há 3 horas

Crianças e adolescentes vítimas de extorsão, abusos e outros crimes virtuais estão recorrendo diretamente à polícia antes mesmo de relatar os fatos aos pais. O cenário reflete o medo das punições familiares e a falta de um diálogo aberto sobre os perigos da internet.

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Policiais civis de São Paulo monitoram e investigam diariamente diversos casos de chantagem e ameaça no ambiente digital. Além de exigirem dinheiro, os agressores frequentemente impõem desafios extremos, como automutilação, violência contra animais e até ameaças a escolas.

No início do mês, o Núcleo de Operações e Aulas Digitais (Noad) da Polícia Civil lançou um canal exclusivo para receber denúncias desse tipo. Os e-mails, que antes chegavam por um canal geral, dispararam de 5 para 36 por dia. O dado que mais chama a atenção das autoridades é o volume de mensagens enviadas por adolescentes vítimas que contam para a polícia antes de procurar a própria família.

Exemplos e orientação especializada

Um menino de 12 anos relatou em uma mensagem enviada ao núcleo policial que estava sendo extorquido após ter fotos íntimas e dados pessoais da família expostos, sob a ameaça de divulgação caso não enviasse dinheiro via Pix.

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Segundo a delegada Lisandrea Salvariego Colabuono, o primeiro procedimento da equipe é estabelecer contato telefônico com o adolescente para ganhar sua confiança antes de conversar com os pais.

A psicóloga Renata Greco aponta que a casa de cada criança e adolescente precisa ser um espaço seguro de conversa para a prevenção de violência sexual, tanto no ambiente virtual quanto no físico. Sem um espaço de acolhimento e informação, os jovens evitam pedir ajuda aos familiares. As autoridades reforçam que os responsáveis devem monitorar o uso de celulares e computadores, mantendo os aparelhos em locais visíveis da casa para garantir a segurança dos menores.