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Brasil

Crime organizado atinge 70 milhões de brasileiros, diz Fórum

Relatório revela que 55,9% da população das capitais vive sob domínio de facções criminosas; no interior, índice chega a 34,1%

2 min

11/05/2026 19:40 • Atualizado há 166 dias

Crime organizado atinge 70 milhões de brasileiros, diz Fórum

Um novo levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública revela que cerca de 70 milhões de brasileiros — o equivalente a quatro em cada dez pessoas no país — convivem diariamente com o domínio de facções criminosas nos bairros onde residem. O relatório detalha uma rotina marcada pelo medo e pela violência, onde grupos organizados exercem controle territorial sobre a população e serviços essenciais.

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De acordo com os dados apresentados, o poder dessas organizações reflete-se em formas diretas de extorsão. Em comunidades do Rio de Janeiro, por exemplo, moradores são obrigados a pagar taxas impostas pelo crime organizado para o fornecimento de serviços básicos, como gás, internet e sinal de TV a cabo. Além da exploração financeira, essas áreas são palcos frequentes de confrontos armados com as forças policiais.

O estudo estabelece uma relação direta entre o domínio territorial criminoso e o risco de vitimização. Morar em um endereço controlado por essas facções aumenta em mais de 10% a chance de o cidadão se tornar vítima de algum crime. O relatório também aponta que, nestas localidades, é significativamente maior o índice de pessoas que tiveram parentes ou conhecidos assassinados.

Expansão do domínio e capilaridade nacional

A influência do crime organizado não se restringe mais apenas aos grandes centros urbanos. Embora a presença desses grupos seja mais acentuada nas capitais, atingindo 55,9% da população, a mancha criminal avança de forma consistente para o interior do país, onde já alcança 34,1% dos habitantes. Esse movimento é impulsionado pela expansão nacional de grupos como o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC).

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Leonardo Silva, coordenador temático do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, analisa que os números revelam uma capilaridade estratégica das facções. Segundo Silva, os grupos buscam ampliar o domínio não apenas em metrópoles, mas em cidades estratégicas para a manutenção e exercício de suas atividades ilícitas.

Um caso ilustrativo dessa rede de influência interestadual é uma investigação conduzida pela Polícia Civil da Paraíba. O inquérito revelou que criminosos baseados no Rio de Janeiro controlam comunidades em Cabedelo, na região metropolitana de João Pessoa, a mais de dois mil quilômetros de distância.

Cristiano Santana, superintendente da Polícia Civil da Paraíba, ressalta que as forças de segurança realizam um realinhamento semanal de rotas e um trabalho integrado para combater essa expansão. O foco das autoridades tem sido a realização de grandes operações em áreas críticas, como Cabedelo, para desarticular o poder territorial exercido por esses grupos.

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