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Crise hídrica? Níveis dos reservatórios de SP se aproximam dos de 2014

Especialistas alertam para a situação, mas destacam que impacto no dia a dia da população é diferente devido a novas estratégias de gestão da Sabesp

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04/02/2026 09:49 • Atualizado há 242 dias

Crise hídrica? Níveis dos reservatórios de SP se aproximam dos de 2014

Os níveis dos reservatórios de São Paulo se aproximam da realidade vista em 2014, quando o estado viveu uma crise hídrica. No fim de janeiro, o Sistema Cantareira registrava 22,7% de volume útil, um número muito próximo dos22,2% vistos no mesmo período de 2014. No início do mês o cenário era ainda pior e, embora as tempestades recentes tenham auxiliado na recuperação, estamos longe de uma situação confortável, como explica a pesquisadora do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais, Elisangela Broedel:

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Os reservatórios continuam em patamares considerados baixos ou críticos. A recuperação é ainda insuficiente para caracterizar uma recomposição mais robusta após anos consecutivos de déficit hídrico nessa região. Então, nossas projeções a partir de modelos hidrológicos indicam, por exemplo, que no sistema cantareira, mesmo com chuva, os volumes devem continuar baixos.

Apesar dos números similares, o impacto no dia a dia é outro, já que agora a Sabesp consegue "remanejar" água de uma área para outra por meio do sistema integrado dos reservatórios. Contudo, o coordenador de conhecimento do Instituto Água e Saneamento, Eduardo Caetano, alerta que isso não permite subestimar a realidade:

Mesmo com esses novos recursos, a gente chegou no mesmo nível que a gente estava dos mananciais em 2014. Então, vai faltar água é uma afirmação muito rígida, muito determinante. Na prática, o que a gente vê é que a água já está faltando, nem que seja pela gestão da demanda noturna, que deixa a grande parte da população, principalmente das periferias, das bordas das redes, sem água por mais tempo.

Medidas e impactos sociais

Desde agosto do ano passado a Sabesp colocou em prática uma medida de redução de pressão de água pela noite. A ação é considerada eficaz para a economia nos reservatórios, mas há um custo social significativo, segundo o Instituto Água e Saneamento, pois é no horário noturno que grande parte da população de baixa renda utiliza o serviço após a jornada de trabalho. Em áreas mais periféricas, a redução da pressão também pode significar água de menor qualidade, como explica a coordenadora de incidência, Paula Pollini, em entrevista à Rádio BandNews FM:

Especialmente em áreas mais longe, esses canos que têm pouca pressão, eles também ficam muito mais vulneráveis à entrada de sujeira ou entrada de outros canos que estão próximos, por exemplo, de coleta de esgoto. Então, essa água se torna menos segura e aí aumenta a necessidade de você tratar essa água.

Críticas e ações do governo

Especialistas também criticam a não adesão a práticas que foram cruciais em 2014, como a tarifa de contingência, formato em que há uma cobrança maior para quem consome mais e menor para quem economiza. O Governo de São Paulo afirma que acompanha, junto à Sabesp, a execução de obras estratégicas para reforço do abastecimento, como a antecipação do bombeamento de até 2.500 litros por segundo do rio Itapanhaú para o Sistema Alto Tietê.

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A Sabesp pontua ainda que implementou o Programa Reserva Certa, que faz a doação e instalação gratuita de caixas-d'água para garantir reserva durante o período de redução, e que vem executando um conjunto estruturado de obras estratégicas.

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