Datafolha: Lula tem 46% e Flávio Bolsonaro 43% das intenções de voto
Escândalos, inflação e desgaste no STF revertem popularidade do presidente, que agora enfrenta um cenário mais delicado para a eleição de outubro, segundo Datafolha.

A menos de sete meses das eleições gerais de outubro, o cenário para a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tornou-se notavelmente mais complexo. Pesquisa do Instituto Datafolha divulgada neste fim de semana aponta uma situação de empate técnico com seus principais adversários da direita, refletindo uma queda na popularidade presidencial e o acúmulo de crises que agora pesam sobre o governo federal. Fatores como o escândalo do Banco Master, investigações no INSS envolvendo seu filho, a alta do petróleo e a dificuldade de diálogo com o eleitorado evangélico criaram um "caldo" negativo que as políticas de estímulo econômico não conseguiram reverter.
Continua depois da publicidade
Os números da pesquisa, que coincidem com os de outros levantamentos como o do Paraná Pesquisas, mostram uma disputa acirrada. Em um cenário de segundo turno, Lula aparece com 46% das intenções de voto contra 43% de Flávio Bolsonaro, uma diferença dentro da margem de erro. O padrão se repete contra outros nomes da direita: Lula 45% a 42% contra Tarcísio de Freitas, e 45% a 41% contra Ratinho Júnior. A competitividade é marcada também pela alta rejeição dos principais nomes: 46% para Lula e 45% para Flávio Bolsonaro. O desgaste se reflete na avaliação do governo, que é considerada "ruim ou péssima" por 40% dos entrevistados, superando os 32% que a veem como "ótima ou boa".
O quadro de março de 2026 representa uma virada significativa em relação a meses anteriores. A popularidade de Lula, que havia subido com um discurso nacionalista em resposta a tarifas impostas pelos Estados Unidos, se desidratou. Aquele capital político se esvaiu à medida que novas crises ganharam o noticiário. A principal delas é o escândalo do Banco Master, que atinge em cheio o Palácio do Planalto ao envolver dois ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) vistos como aliados do governo: Alexandre de Moraes, relator de inquéritos cruciais para a oposição, e Dias Toffoli, indicado ao cargo por Lula.
Somam-se a isso as investigações sobre um desvio bilionário no INSS, que trouxeram à tona o nome de Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente, que teve seu sigilo bancário quebrado pela CPI para apuração de transações suspeitas. Outro ponto de desgaste contínuo é a relação com o eleitorado evangélico, um segmento fundamental para qualquer vitória eleitoral. A percepção de que o governo apoiou um desfile de escola de samba que ridicularizou figuras religiosas aprofundou ainda mais essa distância, criando um obstáculo de difícil superação.
Continua depois da publicidade
Enquanto isso, o "pacote de bondades" do governo, como a correção da tabela do Imposto de Renda, não produziu o efeito esperado na popularidade presidencial. O arsenal de medidas positivas parece ter se esgotado sem gerar ganhos políticos. Para complicar o panorama, a alta acentuada no preço do petróleo ameaça gerar uma forte pressão inflacionária, o pior dos cenários para um governo em ano eleitoral.
Do outro lado do espectro político, a ausência de Jair Bolsonaro, que está preso, mudou a dinâmica da disputa. Sem as declarações controversas do ex-presidente, que frequentemente serviam de munição para os adversários, a oposição se reconfigura. Seu filho, Flávio Bolsonaro, consolida-se como um candidato competitivo, porém com um perfil menos polarizador, dificultando a estratégia de campanha do "nós contra eles". Embora Lula continue sendo um candidato altamente competitivo, o cenário atual é inegavelmente mais delicado e incerto para o governo do que era há poucos meses.
