Brasil

'Debate de escala 6 por 1 é oportunismo eleitoral', diz presidente da CNI

Em entrevista à Rádio BandNews FM, presidente da confederação, Ricardo Alban, afirma que debate é válido, mas alerta para riscos de inflação e perda de competitividade sem aumento da eficiência

3 min

12/02/2026 16:35 • Atualizado há 266 dias

'Debate de escala 6 por 1 é oportunismo eleitoral', diz presidente da CNI

Em entrevista exclusiva à Rádio BandNews FM, o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, condicionou a discussão sobre a redução da jornada de trabalho no Brasil a um debate prioritário sobre o aumento da produtividade no país. Para ele, abolir a escala 6 por 1 sem garantir ganhos de eficiência pode gerar inflação, perda de competitividade e agravar o déficit público. O presidente da Confederação Nacional da Indústria conversou com o âncora do BandNews no Meio do Dia e do Jornal da Band, Eduardo Oinegue, com os apresentadores Larissa Biscaia e Umberto Ferretti e com a colunista de economia da BandNews FM Juliana Rosa.

Continua depois da publicidade

Alban destacou que a média de horas efetivamente trabalhadas no Brasil já é de 39,3 horas semanais, abaixo da média de 42 horas de países da OCDE e do G20. Ele alertou que o país não pode adotar uma medida que impacte a economia de forma negativa, especialmente em um cenário de produtividade estagnada há décadas.

O X da questão: Produtividade

Segundo o presidente da CNI, a baixa produtividade brasileira, que cresce apenas 0,2% ao ano nas últimas três décadas, é o principal entrave para a discussão. Ele comparou a situação com a da China, que possui uma jornada de 9 horas diárias, seis dias por semana, mas que alcançou um avanço tecnológico e de produtividade expressivo.

"Não faz sentido nós termos tantas obrigatoriedades sem haver as ambiências necessárias para que isso aconteça", afirmou Alban. Ele defendeu a criação de métricas para avaliar o impacto da medida no PIB, na inflação e no emprego antes de qualquer decisão ser tomada, criticando o que chamou de "oportunismo" em ano eleitoral.

Continua depois da publicidade

Críticas ao 'Custo Brasil' e ao Papel do Estado

Questionado sobre a responsabilidade das empresas na baixa produtividade, Alban apontou o "Custo Brasil" como um dos principais vilões. Ele citou a alta carga tributária, a insegurança jurídica e a falta de investimentos em inovação como fatores que impedem o avanço do setor produtivo.

O presidente da CNI criticou a falta de ação do Estado em frentes que poderiam aumentar a arrecadação e melhorar o ambiente de negócios. Ele citou a não regulamentação dos cigarros eletrônicos, que poderia gerar bilhões em impostos, e a tributação das apostas esportivas como exemplos de oportunidades perdidas.

Busca por competitividade e o acordo Mercosul-UE

Para Alban, uma das saídas para aumentar a competitividade da indústria brasileira é a efetivação de acordos comerciais, como o do Mercosul com a União Europeia. Ele se mostrou otimista com a aprovação do tratado, que, segundo ele, forçaria a indústria nacional a se modernizar e a agregar mais valor a seus produtos.

Continua depois da publicidade

"A geopolítica hoje está dizendo tudo. Nós temos que aproveitar, por sermos sempre um país amigo, um país afável com todas as suas relações comerciais", destacou. A CNI tem intensificado sua atuação internacional para facilitar a inserção do setor industrial brasileiro no mercado global.