Eleições 2026Contagem regressiva para o 2º turno
0dias
:
00horas
:
00min
:
00seg
Brasil

O que se sabe sobre a prisão da delegada por suspeita de atuar para o PCC

Layla Ayub é investigada por ligação com facção, lavagem de dinheiro e por exercer advocacia após tomar posse na Polícia Civil paulista

3 min

19/01/2026 11:41 • Atualizado há 279 dias

O que se sabe sobre a prisão da delegada por suspeita de atuar para o PCC

A delegada da Polícia Civil de São Paulo Layla Lima Ayub teve a prisão decretada por 30 dias, acusada pelo Ministério Público de ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC) e lavagem de dinheiro, após ser apontada como advogada de integrantes da facção no Pará, inclusive depois de tomar posse no cargo em 19 de dezembro do ano passado, na sede do governo paulista.

Continua depois da publicidade

Prisão, suspeitas e atuação irregular como advogada

Segundo a investigação conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Layla teria continuado a exercer a advocacia mesmo após assumir o posto de delegada, o que a legislação proíbe. Ela cumpria estágio probatório de três anos na Polícia Civil paulista e, antes disso, atuou como policial militar no Espírito Santo.

Nove dias depois da cerimônia de posse, a delegada aparece em documentos como advogada de quatro integrantes do PCC presos em flagrante na cidade de Rondon do Pará, a mais de 500 quilômetros de Belém. Ela assinou a defesa dos suspeitos, apontados como parte da estrutura da facção na região Norte do país.

Posse em São Paulo e namorado investigado como chefe do PCC

Na solenidade de 19 de dezembro, no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo, Layla Lima Ayub estava entre os 524 novos delegados que prestaram juramento para "respeitar e praticar a lei na luta contra a criminalidade em prol da justiça" e "arriscar a própria vida, se necessário for, na defesa da sociedade".

Continua depois da publicidade

O namorado da delegada, Jardel Neto Pereira da Cruz, conhecido como "Dedel", acompanhava a cerimônia na plateia. Jardel é apontado pela polícia como um dos chefes do PCC na região Norte do país. Ele já foi preso por tráfico de drogas em Roraima e no Pará e atualmente está em liberdade condicional.

Como, segundo o Ministério Público, ocorreu a cooptação

De acordo com o Ministério Público, a relação de Layla com a facção começou antes da aprovação no concurso para delegada em São Paulo. Promotores afirmam que ela passou a defender integrantes do PCC cerca de dois anos antes de tomar posse e, nesse período, teria sido cooptada pela organização criminosa.

Para o promotor de Justiça Carlos Gaya, do Gaeco, a atuação da então advogada em favor da facção no Pará foi determinante para essa aproximação.

Continua depois da publicidade

"Essa delegada, atuando como advogada, passou a atuar em favor das lideranças da facção Primeiro Comando da Capital no estado do Pará e, nesse contexto, acabou sendo cooptada por um indivíduo específico", afirmou.

Segundo os investigadores, esse indivíduo seria justamente um dos líderes da facção na região Norte, com quem a delegada se envolveu afetivamente. A suspeita é que, a partir desse vínculo, ela tenha assumido um papel mais ativo na defesa jurídica de membros do grupo e na movimentação de recursos ligados ao crime organizado.

Sintonia dos gravatas e a estratégia jurídica do PCC

A Polícia Civil também apura se Layla Ayub integrava a chamada "sintonia dos gravatas", núcleo formado por advogados ligados ao PCC que cuidam da parte jurídica da organização criminosa e levam recados de lideranças presas para comparsas em liberdade. O grupo funciona como uma espécie de braço jurídico da facção.

Continua depois da publicidade

A "sintonia dos gravatas" surgiu em 2006, criada por Orlando Mota Júnior, o "Macarrão", apontado como um dos líderes do PCC. Desde então, o núcleo jurídico se expandiu e passou a atuar em diferentes estados, acompanhando a própria expansão da facção para além de São Paulo.

A investigação sobre o papel de Layla Ayub nesse esquema e sobre a extensão de suas ligações com o PCC continua em andamento, sob responsabilidade da Polícia Civil e do Ministério Público.

Tópicos relacionados