Do reality à realidade: a democracia em jogo nas redes
Em ambos os países, as redes sociais se tornaram um espaço de disputa por ideias, visibilidade e participação.

Divulgação
Com o Brasil às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais de 2026 e Angola a menos de um ano das eleições gerais de 2027, os casos de Juliette Freire e do ativista angolano Gangsta77 mostram como uma voz nas redes sociais pode ultrapassar a internet e entrar no debate político.
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No Brasil, a disputa eleitoral entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro acontece em um ambiente de forte polarização. Nesse contexto, a cantora e influenciadora Juliette Freire, vencedora do Big Brother Brasil 21, chamou atenção ao participar de um vídeo publicado em 12 de outubro, Dia de Nossa Senhora Aparecida. A produção questiona a relação entre Flávio Bolsonaro e o bispo evangélico JB Carvalho, cujas declarações sobre a devoção católica à santa geraram controvérsia. Ao abordar o tema, Juliette levou às redes uma discussão sobre intolerância religiosa e a influência de lideranças religiosas na política. A reação de Flávio ampliou a repercussão do episódio, transformando o vídeo em mais um ponto de tensão no debate público brasileiro.
Em Angola, uma mobilização com características diferentes colocou o ativista Nelson Adelino Dembo, conhecido como Gangsta77, em evidência. Ligado ao hip-hop e ao ativismo cívico, ele ganhou projeção nacional em março de 2023 ao lançar o apelo “Fica em Casa”, convocando os cidadãos para um protesto pacífico contra as dificuldades econômicas, o desemprego e a atuação do governo. A iniciativa gerou debate nas redes sociais e uma resposta do MPLA, cujos apoiadores divulgaram a mensagem “Vamos bumbar”. O episódio mostrou como uma campanha digital pode provocar uma reação política e transformar uma reivindicação em assunto nacional.
Depois de deixar Angola, alegando temer pela própria segurança, Gangsta77 continuou sua atuação cívica a partir do exterior, mantendo sua presença nas redes sociais e o debate sobre a situação política angolana. Para seus apoiadores, ele permanece uma das vozes mais influentes do ativismo digital no país, dando continuidade à defesa da liberdade de expressão, da participação democrática e da alternância política, mesmo estando longe de Angola.
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Apesar das diferenças entre os dois países, os casos de Juliette e Gangsta77 revelam uma dinâmica comum: figuras públicas podem usar sua visibilidade para ampliar discussões que ultrapassam seus círculos habituais de influência. No Brasil, o vídeo de Juliette levou uma controvérsia religiosa para o centro do debate político em plena disputa presidencial. Em Angola, o apelo de Gangsta77 mobilizou cidadãos em torno de questões sociais e da contestação ao governo.
A comparação ganha relevância diante dos próximos ciclos eleitorais. No Brasil, a disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro coloca em discussão os rumos políticos do país e o papel das redes sociais na formação da opinião pública. Em Angola, João Lourenço não pode disputar um terceiro mandato presidencial consecutivo. Ainda assim, existe debate sobre a possibilidade de manter influência política por meio de um sucessor ligado ao MPLA, cenário associado à ideia de “bicefalia” do poder.
Em ambos os países, as redes sociais se tornaram um espaço de disputa por ideias, visibilidade e participação. Um vídeo ou uma publicação não determina o resultado de uma eleição, mas pode dar voz a preocupações coletivas e ampliar o debate sobre liberdade, poder e democracia.
