Endometriose afeta 8 milhões no Brasil e diagnóstico pode levar anos
Mês de conscientização alerta para a "doença dos seis Ds"; Hospital da Mulher, na Bahia, é referência em tratamento multidisciplinar pelo SUS

O mês de março marca o período de conscientização sobre a endometriose, uma doença ginecológica crônica que atinge pelo menos oito milhões de brasileiras e cerca de 10% das pessoas com útero em idade reprodutiva. A condição ocorre quando o endométrio — tecido que reveste o útero — se desenvolve fora do órgão, provocando inflamações, dores intensas e, em casos graves, dificuldade para engravidar.
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A publicitária Ingrid Suzarte relata que conviveu durante anos com desconfortos que pareciam rotineiros. Segundo ela, a demora no diagnóstico gera um impacto emocional devastador que muda a mente e o bem-estar físico. "A cirurgia melhorou muito, hoje sou outra pessoa, mais plena e centrada", afirma Ingrid.
A "doença dos seis Ds" e os sinais de alerta
O ginecologista Alexandre Amaral explica que a endometriose é conhecida clinicamente como a "doença dos seis Ds" devido aos seus principais sintomas:
- Dismenorreia: dor intensa no período menstrual;
- Dor pélvica crônica: desconforto por mais de seis meses fora do ciclo;
- Disquezia: dor ao defecar;
- Disúria: dor ao urinar;
- Dificuldade de engravidar;
- Dispareunia: dor durante a relação sexual.
Além desses indicadores, a doença pode causar fadiga, distensão abdominal e dores na lombar e nas pernas, incapacitando a paciente para atividades habituais. "Sentir dor não é normal. Se você tem dor incapacitante, procure um especialista", alerta o médico. Como os sintomas podem começar de forma discreta, muitas mulheres confundem a patologia com cólicas menstruais comuns, o que atrasa o tratamento e permite o avanço da enfermidade.
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Tratamento multidisciplinar na rede pública
O Hospital da Mulher, localizado na Cidade Baixa, em Salvador, abriga o maior serviço de tratamento multidisciplinar de endometriose da Bahia. A unidade realiza mais de 200 atendimentos mensais e já superou a marca de 2.000 cirurgias. Segundo o ginecologista Heron Cangussu, a equipe conta com cirurgiões, ginecologistas, psicólogos e nutricionistas, além de exames de imagem específicos.
Para pacientes como a dona de casa Michele Amaral, o tratamento pelo SUS garantiu a recuperação da qualidade de vida. Antes da cirurgia, Michele relata que vivia constantemente deitada e inchada devido às dores. "Hoje eu tenho vida, tenho uma qualidade melhor de não sentir mais aquela dor", celebra. Pacientes com suspeita da doença na rede pública podem ser encaminhadas ao serviço através da central de regulação do estado.
