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Família de Tenório Jr. recebe objetos de músico morto na ditadura argentina

Colares que estavam com o pianista em 1976 foram devolvidos em cerimônia após identificação de digitais esclarecer assassinato do artista em Buenos Aires

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26/03/2026 07:00 • Atualizado há 213 dias

Família de Tenório Jr. recebe objetos de músico morto na ditadura argentina

Os colares que pertenciam ao pianista brasileiro Francisco Tenório Cerqueira Júnior, o Tenório Jr., foram entregues à sua família nesta quarta-feira (25), em uma cerimônia carregada de simbolismo no Ministério Público Federal, no Rio de Janeiro. O músico desapareceu em março de 1976, aos 35 anos, durante a ditadura militar argentina, e as circunstâncias de sua morte só foram plenamente esclarecidas no ano passado.

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Para os filhos do artista, o recebimento dos objetos representa um reencontro emocional e histórico. Margarida Tenório, filha do pianista, ressalta o valor sentimental das peças. "Tem mais simbolismo porque estava com ele no final da vida dele", afirma. Já Elisa Tenório destaca que a entrega dos pertences é um passo para o reconhecimento oficial do Estado e para a busca por reparação material e preservação da memória do pai.

O desaparecimento e a revelação da verdade

Tenório Jr. era considerado um dos precursores do samba-jazz e nome fundamental da Bossa Nova. Seu desaparecimento ocorreu em Buenos Aires, onde realizava uma turnê ao lado de ícones da música brasileira como Vinicius de Moraes, Toquinho e Joyce, às vésperas do golpe militar na Argentina.

O mistério sobre o paradeiro do músico começou a ser desvendado em setembro do ano passado, quando autoridades argentinas, por meio de análise de impressões digitais, confirmaram que ele foi assassinado com cinco tiros e encontrado em um terreno baldio. A investigação descartou a hipótese de tortura prolongada, o que trouxe um tipo de alívio doloroso aos familiares. "A gente sabe que ele não sofreu. Foi assassinado, mas não foi torturado", pontua Francisco Tenório, filho do músico.

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O relato de Toquinho e o erro fatal

Em participação recente no programa Canal Livre, da Band, o cantor e compositor Toquinho relembrou a noite do desaparecimento. Segundo ele, Tenório saiu do hotel por volta das 3h30 da manhã para comprar um sanduíche. O pianista teria sido levado por engano em uma "batida" policial.

De acordo com a análise de Toquinho, os agentes argentinos teriam assassinado o músico ao perceberem que ele era inocente e que não possuía qualquer envolvimento político, agindo para que ele não pudesse relatar o que havia presenciado nos centros de detenção.

O gesto de devolução dos colares, embora tardio — ocorrendo quase 50 anos após o crime —, reforça a importância da busca contínua pela verdade e pela justiça em casos de violações de direitos humanos cometidas por regimes ditatoriais na América Latina.

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