Fernando Schüler analisa decisão dos Estados Unidos sobre PCC e CV
O cientista político destacou como esse episódio representou uma vitória estratégica para a oposição e um momento de "desprestígio" para o governo Lula.

A recente decisão do governo dos Estados Unidos de enquadrar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas não é apenas uma medida de segurança pública, mas um evento político de grande impacto no Brasil.
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Em sua análise semanal, o cientista político Fernando Schüler destacou como esse episódio representou uma vitória estratégica para a oposição e um momento de "desprestígio" para o governo Lula.
O Papel de Flávio Bolsonaro em Washington
Segundo Schüler, o senador Flávio Bolsonaro demonstrou uma "força política inegável" ao articular esse movimento em Washington. Sua reunião com o senador americano Marco Rubio precedeu a declaração oficial, vinculando diretamente a agenda da oposição brasileira à decisão da maior potência mundial.
Schüler comparou esse movimento a episódios anteriores de diplomacia paralela, como quando o próprio Lula, ainda antes de assumir o atual mandato, buscou imagens de prestígio internacional.
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"A política é feita assim, é uma gangorra, um zigue-zague", afirmou o analista.
O Desprestígio do Governo Brasileiro
O ponto mais crítico da análise de Schuler reside na forma como a Casa Branca ignorou a posição oficial do governo brasileiro. O Itamaraty e o Ministério da Justiça haviam se manifestado contrariamente à classificação de facções criminosas como grupos terroristas, defendendo que o Brasil é soberano para tratar o crime organizado sob sua própria legislação.
Ao tomar a decisão de forma solene, o governo americano "solenemente desconsiderou a posição do governo brasileiro e chancelou a posição da oposição", avaliou Schüler. Isso coloca o presidente Lula em uma "saia justa" diplomática, evidenciando uma perda de influência sobre as decisões estratégicas dos EUA em relação à América Latina.
A Voz das Ruas: 73% de Aprovação
Diferente de viagens anteriores da família Bolsonaro — como a de Eduardo Bolsonaro para apoiar tarifas contra a economia brasileira, que Schüler classificou como impopular e prejudicial à imagem da oposição na época — a pauta atual tem forte apelo popular.
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Citando pesquisas realizadas no final do ano passado, Schüler lembrou que 73% da população brasileira é favorável à classificação do PCC e do CV como organizações terroristas.
"É uma pauta que vem a favor, politicamente, da candidatura da oposição e não do governo", ressaltou.
O Impacto nas Pesquisas
Fernando Schüler encerrou sua análise questionando como esse fato novo influenciará as próximas pesquisas de intenção de voto. Embora o governo Lula viesse em uma tendência de recuperação — impulsionada por temas como a escala 6x1 e medidas populistas — o "fato criado" pela oposição em Washington pode estancar essa subida.
Para o analista, o cenário agora é de incerteza: resta saber se o impacto da segurança pública e do terrorismo será suficiente para reverter o empate técnico entre o governo e a oposição nas mentes e corações dos eleitores brasileiros.
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