Cresce a preocupação com infertilidade masculina
Dados do Google Trends mostram um aumento do interesse pelo espermograma

Quando um casal enfrenta dificuldades para engravidar, a atenção inicial costuma se voltar para a mulher. No entanto, dados recentes e a própria ciência mostram que a realidade é bem diferente e que os homens estão cada vez mais em busca de respostas.
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Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) já indicaram que 40% dos casos de infertilidade são por problemas masculinos, mesmo percentual das mulheres. Em 20% das situações, ambos os parceiros apresentam alguma dificuldade para engravidar.
No Brasil, conforme dados do Google Trends, o interesse de busca por "infertilidade masculina" e "homem infértil" é quase 25% maior do que por "infertilidade feminina" e "mulher infértil", de acordo com levantamento da Sala Digital, uma parceria entre a Band e o Google.
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Interesse por infertilidade masculina (Gráfico: Sala Digital Band e Google Fonte: Google Trends)
O que causa a infertilidade masculina?
Diversos fatores podem afetar a fertilidade masculina, mas a causa mais frequente é a varicocele, a dilatação das veias dos testículos. Essa condição, semelhante às varizes que aparecem nas pernas, aumenta a temperatura na região, o que prejudica a produção e a qualidade dos espermatozoides.
"A varicocele está por trás de aproximadamente 40% dos casos de infertilidade primária, quando o homem nunca conseguiu engravidar", explica a Sociedade Brasileira de Urologia. Embora seja muito comum, afetando cerca de 25% da população masculina, nem todos que têm varicocele serão inférteis.
Além da varicocele, outras causas importantes devem ser consideradas. Entre elas estão os fatores genéticos, como a Síndrome de Klinefelter ou microdeleções no cromossomo Y.
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As alterações hormonais também desempenham um papel significativo; a baixa produção de testosterona ou o uso de anabolizantes e suplementos hormonais sem indicação médica podem, inclusive, suspender a produção de espermatozoides.
Outro ponto de atenção são as obstruções no trato reprodutivo, que podem ser resultado de infecções passadas, como clamídia e gonorreia, capazes de deixar cicatrizes e bloquear a passagem do sêmen.
O estilo de vida tem um impacto direto e cumulativo na fertilidade, com fatores como obesidade, tabagismo, consumo excessivo de álcool e estresse podendo comprometer a saúde reprodutiva.
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Por fim, a idade é um fator relevante, pois embora os homens produzam espermatozoides por toda a vida, a qualidade e a quantidade tendem a diminuir após os 45 anos, elevando o risco de alterações genéticas nos gametas.
Preciso fazer um espermograma?
O interesse de busca sobre espermograma, que é fundamental para avaliar a fertilidade do homem, está no maior patamar da série histórica, com um crescimento de 33% nos últimos cinco anos, conforme o Google Trends.
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Interesse por espermograma está no maior patamar da história (Gráfico: Sala Digital Band e Google Fonte: Google Trends)
Para o homem, o espermograma é o ponto de partida para um diagnóstico. Trata-se de uma análise detalhada do sêmen que avalia três parâmetros principais: o número de espermatozoides, sua capacidade de movimento e seu formato.
O exame funciona como uma "fotografia" de um momento específico e pode variar. Por isso, é comum que o médico peça a repetição do exame para confirmar um resultado alterado antes de fechar um diagnóstico.
Infertilidade masculina tem tratamento?
A maioria dos casos de infertilidade masculina tem tratamento, que é definido de acordo com a causa. As opções cirúrgicas são uma frente de tratamento, sendo a correção da varicocele o procedimento mais comum, capaz de melhorar a qualidade do sêmen em até 70% dos casos.
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A reversão da vasectomia também é uma alternativa cirúrgica com altas taxas de sucesso. Outra abordagem é o uso de medicamentos, que podem ser prescritos para tratar infecções, corrigir desequilíbrios hormonais e estimular a produção de espermatozoides.
Suplementos com vitaminas e antioxidantes também podem ser indicados, embora sua eficácia ainda seja debatida pela comunidade científica.
Quando outros tratamentos não funcionam ou não são uma opção, a reprodução assistida se torna o caminho, com técnicas como a Inseminação Intrauterina (IIU) e a Fertilização in Vitro (FIV) com ICSI (injeção intracitoplasmática de espermatozoide). A ICSI, por exemplo, permite a fecundação mesmo com um número muito baixo de espermatozoides viáveis.
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Especialistas são unânimes em afirmar que a prevenção é o melhor caminho. Manter um estilo de vida saudável, com dieta equilibrada, prática de exercícios e longe do cigarro e do álcool, é o primeiro passo.
Além disso, a conscientização sobre a saúde masculina desde cedo é crucial. Urologistas recomendam que os pais levem os filhos para uma primeira consulta na puberdade, entre 12 e 14 anos, para criar uma cultura de cuidado e prevenção que pode fazer toda a diferença no futuro.
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