Irã e Estados Unidos: acordo ou guerra?
Para o Irã, a negociação orbita em torno apenas de seu programa nuclear, e nada mais

A resposta, nesta quinta-feira, com o encontro da “última chance” entre o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, e os negociadores americanos Steve Witkoff e Jared Kushner, em Genebra, na Suíça.
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A proposta iraniana, avalizada pelo líder supremo aiatolá Ali Khamenei, foi antecipada por Araghchi como um pré-acordo, com uma ressalva: “Mas somente se à diplomacia for dada prioridade”. Ele ainda escreveu, na plataforma X, que “jamais, em nenhuma circunstância, o Irã desenvolverá uma arma nuclear”, embora se recuse a conceder seu direito à tecnologia nuclear pacífica”.
Nos três dos 107 minutos de seu discurso sobre o Estado da União dedicados ao Irã, na terça-feira, o presidente Donald Trump não explicou ao Congresso e ao povo americano se ele se dispõe a aceitar algo que não seja tolerância zero para o enriquecimento de urânio, sua posição inicial acoplada ao limite de alcance dos mísseis balísticos, hoje capazes de atingir as bases americanas no Oriente Médio, Israel e, segundo Trump, a Europa, e ao fim da ajuda a grupos terroristas -- o Hamas, o Hezbollah e os Houthis. Para o Irã, a negociação orbita em torno apenas de seu programa nuclear, e nada mais.
Do briefing do secretário de Estado Marco Rubio sobre as negociações com o Irã para a “Gang dos 8”, quatro democratas e quatro republicanos, ontem, pouco antes do discurso de Trump no Congresso, o senador democrata por NY, Chuck Schumer, saiu visivelmente impactado. Sem poder falar o que ouviu, ele disse a repórteres. “Olha, isto é sério”.
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Os Estados Unidos mobilizaram dois porta-aviões, pelo menos um submarino, centenas de caças de diversos modelos, inclusive o furtivo Raptor 22, que não exporta, e cerca de 40 mil soldados em várias bases do Oriente Médio, quando cerca de três mil manifestantes, que protestavam contra a economia e a teocracia iranianas, foram mortos pela repressão, em janeiro. Com o envio da armada, Trump avisou “Ajuda está a caminho”.
Foi assim que Trump se colocou o problema agora difícil de resolver sem uma “vitória” diplomática sobre o Irã, ou uma guerra, que não será rápida, provavelmente, e poderá custar vidas e se espalhar pela região inflamável. Nesta quarta-feira, Israel se declarou favorável ao filho do xá Reza Pahlavi, se a teocracia for derrubada. Os EUA não têm um candidato e nem a alternativa, como na Venezuela, de decapitar o líder do governo deixando os ministros no poder. As guerras no Iraque, na Líbia e no Afeganistão são péssimos precedentes.
O ex-comandante da Marinha de Israel, general Eliezer Marom, declarou que “todos os sinais” apontam para um confronto que “está muito próximo”. O pouso de caças Raptor 22 em bases israelenses, segundo ele, indica a existência de planos para operações conjuntas entre os dois países. A Israel caberia atacar os arsenais e lançadores de mísseis balísticos, enquanto os EUA teriam por alvo o regime iraniano, insuflando tumultos internos.
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Na Praça Palestina, em Teerã, surgiram novos cartazes promovendo um “claro alvo: o 51º estado de Trump, Israel”. Prédios em chamas estão ao fundo das letras garrafais: “Bem-vindo a Israel, bem-vindo ao Inferno”.
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