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Irã usa memes e IA como arma de propaganda contra Trump e Netanyahu

Especialistas alertam que vídeos produzidos por IA visam especialmente jovens americanos e buscam mudar percepções sobre o conflito no Oriente Médio

2 min

02/05/2026 00:51 • Atualizado há 122 dias

Irã usa memes e IA como arma de propaganda contra Trump e Netanyahu

Uma guerra não é travada apenas em terra, no ar ou no mar. Nos últimos anos, um campo de batalha que sempre existiu ganhou força com a inteligência artificial: a disputa de narrativas. Desde o início do conflito entre Irã, Estados Unidos e Israel, o uso de vídeos produzidos por IA se multiplicou e o que parece brincadeira é, na verdade, uma sofisticada arma de propaganda.

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O Irã passou a reproduzir em suas contas oficiais vídeos provocativos, sempre fazendo piada do presidente americano Donald Trump e do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu. Em algumas ocasiões, os dois líderes são retratados como a imagem do demônio.

Os vídeos que mais viralizaram nas redes sociais foram os que utilizaram personagens de Lego, estética instantaneamente reconhecível. Neles, líderes e militares são representados com os americanos sempre de forma debochada, enquanto os iranianos aparecem como vencedores.

Em um dos vídeos, Trump cai por um turbilhão de documentos do "arquivo Epstein", enquanto letras de rap dizem que os segredos estão vazando e a pressão está aumentando. Esses vídeos foram produzidos por um perfil anônimo.

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Para Felipe Loureiro, professor do Instituto de Relações Internacionais da USP, o fenômeno da guerra de propaganda é antigo, mas o que o Irã faz é novo por ser publicado diretamente pelas contas oficiais do país – o que muda o peso e o alcance da mensagem. Segundo ele, o alvo principal são os jovens americanos, público que Trump vem perdendo em popularidade, e é por isso que as referências de sucesso, como Lego e elementos de cultura pop, estão sempre presentes nos vídeos.

A professora da PUC-SP e pesquisadora dos impactos sociais da IA, Dora Kaufman, lembra que a tecnologia foi desenvolvida em grande parte pelos Estados Unidos, mas hoje qualquer um pode utilizá-la. A grande preocupação, segundo ela, é quando a IA é usada para criar vídeos disseminando ataques ou ações que nunca aconteceram, o que potencializa a desinformação em escala global.

Os Estados Unidos também entraram na disputa. O próprio Trump publicou vídeos com referências cinematográficas e do mundo dos videogames. A guerra de narrativas no Oriente Médio, portanto, não tem frente única e as redes sociais se tornaram o campo de batalha mais acessível e de maior alcance para todos os lados do conflito.

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