Judeus do Brasil em alerta contra o terror
Ao mesmo tempo em que a PF e o FBI investigavam um suposto terrorista do Estado Islâmico em Bauru, que acabou preso, circulava pela internet, para a comunidade

Ao mesmo tempo em que a PF e o FBI investigavam um suposto terrorista do Estado Islâmico em Bauru, que acabou preso, circulava pela internet, para a comunidade judaica, um alerta sobre um site que oferece ajuda a judeus no exterior. Seria uma armadilha.
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O número do telefone para emergências, no alerta israelense, é o do Ministério das Relações Exteriores, em Jerusalém, onde foi criada uma “Sala de Situação” operando 24 horas por dia contra o golpe considerado terrorista.
“Em nenhuma hipótese”, alerta o comunicado, “você deve preencher seus dados pessoais nesse site (https:/lionnights), e espalhe a informação para que não o usem” – “e para salvar vidas”. E explica: “É muito possível que este site seja operado por elementos hostis que desejam localizar famílias israelenses e judias para lhes causar dano”
O terrorismo islâmico já tem antecedentes criminais no Brasil. Em 2015, a PF desarticulou um grupo de empresas de fachada e nomes falsos em SP, com a “Operação Mendaz”. O líder do grupo, o libanês Firas Allameddin, acusado de movimentar, ilegalmente, mais de 50 milhões de reais, tinha um pedido de refúgio negado pelo governo brasileiro, em 2009. O dinheiro foi transferido para o Líbano, sede do Hezbollah iraniano, em mais de 300 operações no valor de 10 mil reais cada, para evitar rastreamento.
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Allameddin divulgava propaganda do Estado Islâmico (EI) e sobre a fundação de um Califado, o reino que sucederia a Maomé, a ser fundado na Síria. Fotos de decapitação de prisioneiros ou de execuções em massa eram postadas em redes sociais pela internet, como propaganda. Havia também a revista Dabiq, editada em vários idiomas.
Em 2016, pouco depois que o Brasil aprovou uma lei antiterrorismo, a PF prendeu 12 pessoas que planejavam atentados durante os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Foi a “Operação Hashtag”. Os terroristas, considerados amadores e desorganizados, sem nenhuma experiência prática, estavam na fase de compra de armamento.
A partir de 2016, mais células do EI foram desarticuladas no Brasil, com a prisão de oito terroristas, em setembro de 2016, condenados a penas entre cinco e 15 anos de prisão, em maio de 2017. Outras 11 pessoas, que tentaram reorganizar a célula liquidada pela PF, foram presas em 2018 por promover o EI e planejar atentados.
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Em 2022 e 2023, a PF descobriu um brasileiro filiado ao EI que usava grupos online para recrutar adolescentes no Rio e em São Paulo. Ele foi preso e condenado por terrorismo e corrupção de menores. Outros casos conhecidos foram os de jovens que tentaram viajar para áreas de conflito no Oriente Médio ou de planejar atentados. Em dezembro de 2021, o Departamento do Tesouro dos EUA designou três homens no Brasil como terroristas globais, afiliados a Al Qaeda. Um deles, Haytham Ahmad Shukri Ahmad Al-Maghrabi, era ligado a Ahmed Mohammed Hamed Ali—um dos 22 suspeitos que plantaram duas bombas nas embaixadas americanas do Quênia e Tanzânia, na África, em 1998.
A análise do Departamento de Estado é a de que o Brasil, sem nenhum grande ataque terrorista, abriga uma estabelecida e ativa presença de grupos neonazistas e do extremismo islâmico, como Hezbolah, Al Qaeda e Hamas. Conclui o relatório:
“Grupos terroristas estabeleceram extensas redes de contrabando na Tríplice Fronteira (TF), que abrange as fronteiras do Brasil, Paraguai e Argentina. Operativos do Hezbollah na TF teriam gerado receitas significativas com atividades criminosas na região, que seriam utilizadas para financiar as atividades de seus homólogos no Líbano. Acredita-se que organizações criminosas brasileiras auxiliem o Hezbollah no contrabando de armas para o país e na obtenção de explosivos. ”
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