Juliana Rosa: entenda pedido de recuperação judicial do Pão de Açúcar
Colunista de economia da BandNews FM também analisa pedido da Raízen que é o maior da história do setor privado, com R$ 65 bilhões

O grupo sucroenergético Raízen e o varejista GPA protocolaram pedidos de recuperação extrajudicial nesta terça-feira (10) para renegociar dívidas que, somadas, chegam a R$ 69,5 bilhões.
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As empresas, que já enfrentavam dificuldades financeiras, tiveram a situação agravada pelo cenário de juros altos no Brasil, fator que tem pressionado a saúde financeira de diversas companhias no país, segundo a colunista de economia da BandNews FM, Juliana Rosa.
O tamanho da dívida
O caso mais impressionante é o da Raízen, uma parceria entre Cosan e Shell, que apresentou um pedido com débitos de R$ 65 bilhões. Este se torna o maior processo de recuperação de uma empresa privada na história do Brasil, ficando atrás apenas do caso da Odebrecht (R$ 100 bilhões) e se igualando ao da operadora Oi.
De acordo com Juliana Rosa, a dívida bilionária é resultado de uma estratégia de crescimento rápido e altamente alavancado, que se tornou insustentável com a alta da taxa de juros no país.
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Já o GPA (Grupo Pão de Açúcar), que também controla a rede Extra Mercado, busca renegociar um montante de R$ 4,5 bilhões.
A colunista explica que o grupo, hoje controlado pelo francês Casino, já vinha sofrendo com as consequências de decisões de negócios consideradas questionáveis por especialistas do mercado, além de um endividamento que se acumulava ao longo dos anos.
Segundo a jornalista, o ambiente econômico tem sido um dos principais desafios para as empresas, com os juros em patamares elevados por um longo período, o que dificulta o pagamento de dívidas e aumenta a inadimplência, que atinge níveis recordes tanto para pessoas físicas quanto para empresas.
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Já a expectativa do mercado era por um corte mais acentuado na taxa de juros, mas o cenário se tornou incerto, por causa de novos ataques a navios no Estreito de Ormuz, um ponto vital para o transporte de petróleo, causaram uma alta de 3,4% no preço do barril nesta quarta (11).
Juliana Rosa afirma que essa instabilidade geopolítica pode gerar pressão inflacionária, principalmente nos combustíveis, e limitar o espaço para o Banco Central reduzir os juros na proporção que se imaginava anteriormente. Apesar disso, a queda do dólar tem ajudado a conter a inflação, e ainda se espera um corte de pelo menos 0,5 ponto percentual na próxima reunião do Copom.
