Lucas Di Grassi apresenta projeto para próxima geração da Fórmula E
DGR Lola é carro-conceito nascido “do zero” com propostas para o futuro da categoria elétrica e até de outras competições

A Fórmula E vai adotar um novo carro, o Gen4, a partir da temporada 2026/2027. Mas ganhou nesta terça-feira (18) um potencial candidato a suceder o bólido: o DGR Lola.
Continua depois da publicidade
O arrojado conceito foi apresentado em entrevista coletiva por Lucas Di Grassi, piloto da Lola Yamaha Abt na categoria elétrica. Entre os principais detalhes, o projeto se destaca pela pequena asa dianteira, pelo amplo difusor traseiro (que acopla uma pequena asa traseira), pelos dois motores, pelas coberturas das rodas e pela ausência de radiadores laterais para resfriamento do trem de força.
Segundo Di Grassi, o objetivo era projetar um conceito a partir do zero, que fosse capaz de melhorar a performance dos melhores monopostos elétricos da atualidade, mas com inovação e segurança, mantendo ou melhorando os elementos esportivos e capaz de se adaptar a diferentes circuitos.
A ideia era conseguir um carro com foco no piloto, que fosse mais eficiente que os carros atuais e mais rápido que um Fórmula 1. Ao mesmo tempo, teria que evitar extravagâncias, como tecnologias consideradas “exóticas” ou inexistentes.
Continua depois da publicidade

Lucas Di Grassi apresenta projeto para próxima geração da Fórmula E
Crédito: Divulgação
O piloto brasileiro, campeão da temporada 2016/2017 da Fórmula E e uma das principais lideranças da categoria, ficou satisfeito com o resultado. Segundo ele, em simulações, o DGR Lola cumpre com o plano de reduzir o arrasto aerodinâmico e tem bons desempenhos.
Sem o calor gerado pela queima de combustíveis, o carro abre mão do resfriamento oferecido pelos radiadores – o que pode ser resolvido pela própria aerodinâmica. Somado a isso, a cobertura das rodas oferece menor resistência ao ar ao mesmo tempo em que garante a segurança dos pilotos..
“Na Fórmula E, você não tem os pit stops, então não tem que trocar pneus. Por que não usar isso a favor?”, questionou o brasileiro. “Você tem o spray quando chove. A limitação é a visualização. Cobrindo as rodas, você diminui isso. Você tem isso (segurança) e tem o ganho de eficiência”, completou.
Continua depois da publicidade
Além disso, o assoalho dos carros tem duas entradas de ar centralizadas e duas saídas mais próximas das laterais. Com o resultado, o carro dispensa o uso de um DRS para criar mais downforce e para ultrapassar outros carros.
Inspiração

Lucas Di Grassi apresenta projeto para próxima geração da Fórmula E
Crédito: Divulgação
Ao longo da entrevista coletiva, Lucas di Grassi deixou claro que gosta de diversos projetos, com o Red Bull X1 e o Chaparral 2J, mas que não se inspirou em nenhum deles especificamente para criar o DGR Lola.
“Eu peguei um pouco de vários projetos. Sou fã do Red Bull X1, dos Chaparral da década de 1970, que usou um motor fora do carro. É uma combinação de diferentes tecnologias que eu coloquei no mesmo carro”, explicou Di Grassi, que conversou sobre o projeto com Adrian Newey, o projetista responsável por alguns dos carros mais vitoriosos da história da F1.
Continua depois da publicidade
No entanto, para o brasileiro, é natural que diversos projetos tenham linhas semelhantes. “Quando você segue a física, a forma do carro vai ser parecida”, diz. “A física te leva nessa direção.”
Embora o DGR Lola não seja um candidato oficial a suceder o Gen4 na Fórmula E, Di Grassi diz que o projeto que “inspirar a próxima geração” de carros elétricos. Para ele, construir um monoposto elétrico capaz de superar um F1 “não é mais um desafio”, desde que se coloque em prática os conceitos.
Resta saber agora se a Lola abraçaria a ideia. “É minha visão, o que quero fazer. Sendo piloto da Lola, entendendo onde a Lola quer chegar, a qualidade dos engenheiros que têm chegado, as novas estruturas, os novos investimentos... Por que não esperar que nossa chefia escute algumas ideias para construir?”, questionou.
