Minczuk sobre Ópera Tristão e Isolda: ‘Uma das mais difíceis que existem’
Obra retornou ao palco do Theatro Municipal de São Paulo entre julho e agosto após um hiato de 48 anos

A regência de uma das obras mais complexas e emblemáticas da história da música foi destaque do Canal Livre neste domingo (30). Em entrevista ao programa, o maestro Roberto Minczuk detalhou os desafios técnicos e emocionais de comandar Tristão e Isolda, ópera do compositor alemão Richard Wagner, e refletiu sobre a abrangência de sua trajetória nos palcos.
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Com cinco horas de duração, a montagem marcou um momento histórico para a cultura paulistana: o retorno da obra ao palco do Theatro Municipal de São Paulo entre julho e agosto após um hiato de 48 anos.
Para o regente, a conquista teve um forte apelo pessoal e encerrou uma busca que durou uma década. O desejo nasceu ainda na infância, quando ele estudava trompa no próprio teatro e assistiu à montagem de 1978 aos 11 anos de idade.
"Eu tinha 11 anos quando eles fizeram pela última vez, em 1978, e eu vi Tristão e Isolda. Fiquei impactado por essa música, que, de fato, é uma música que te absorve de tal forma… Ela é muito intensa musicalmente, mentalmente, fisicamente. O Wagner toma conta de você de um jeito que aquilo te paralisa, te deixa em um estado de transe”, disse Minczuk.
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“Ele introduz algo que não existia na música antes, que é, harmonicamente, um acorde que não se resolve. Só se resolve depois das 5 horas da ópera. Então, ele consegue manipular e cativar tanto o músico como o ouvinte. São todas essas coisas que fazem desta obra uma das obras mais difíceis que existem”, completou.
O maestro também ressaltou o pioneirismo do compositor ao criar o conceito de Gesamtkunstwerk (obra de arte total).
“Ele foi quem decidiu que o teatro tinha que ser absolutamente escuro, que você não poderia ter outra coisa senão o foco no palco. O conceito do Gesamtkunstwerk, que é a arte total: a música, a dança, o canto, a iluminação, a interpretação, o drama, o teatro, tudo isso junto. E isso resulta, anos mais tarde, no que a gente conhece hoje como Hollywood”, finalizou.
Canal Livre
No Canal Livre deste domingo, Roberto Minczuk fala sobre a nova e audaciosa superprodução da Orquestra Sinfônica paulistana: a ópera “Don Carlo”, de Giuseppe Verdi, conta como o aprendizado de música muda a vida de crianças pobres da periferia e responde porque o Brasil tem menos espaço do que deveria no cenário internacional da música erudita.
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Participam como entrevistadores os jornalistas Fernando Mitre, Giba Smaniotto e a editora-chefe do canal Arte 1, Gisele Kato. A apresentação é de Rodolfo Schneider.
O Canal Livre vai ao ar neste domingo (30), às 20h, na BandNews TV e no canal Band Jornalismo do YouTube. Mais tarde, às 23h, o programa será exibido na tela da Band, após o Som dos Oceanos.
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