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Mônica Bergamo: Ida de Vorcaro ao Congresso depende do STF e acirra disputa

Ida do dono do Banco Master para depor em comissões na Câmara e no Senado aguarda aval do ministro André Mendonça; foco de perguntas deve variar entre INSS e Centrão

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19/02/2026 13:18 • Atualizado há 239 dias

Mônica Bergamo: Ida de Vorcaro ao Congresso depende do STF e acirra disputa

A ida do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para depor no Congresso Nacional na próxima semana ainda depende de uma autorização do Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão está nas mãos do ministro André Mendonça, novo relator do processo, e definirá se o banqueiro, que cumpre prisão domiciliar, poderá viajar a Brasília para ser ouvido em duas comissões distintas.

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Em prisão domiciliar com uso de tornozeleira eletrônica, Vorcaro necessita de um despacho judicial específico para qualquer deslocamento.

Segundo a colunista da BandNews FM Mônica Bergamo, a questão envolve não apenas a viagem de São Paulo a Brasília, mas também a logística de hospedagem e segurança, que inclui agentes da Polícia Federal. De acordo com a jornalista, a situação gera uma série de impasses práticos.

"Quem paga a passagem não só dele, como do batalhão que tem que viajar com ele?", questionou a colunista, lembrando que os bens e contas do banqueiro estão bloqueados. Da última vez que foi a Brasília, a própria Polícia Federal custeou as despesas.

Disputa entre Câmara e Senado

Mônica Bergamo aponta que, mesmo antes da autorização do STF, uma disputa política já foi deflagrada entre a Câmara dos Deputados e o Senado Federal. Ambas as casas querem ouvir Vorcaro, mas a corrida é para ver quem o fará primeiro.

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O depoimento na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, presidida por Renan Calheiros (MDB-AL), estava agendado para terça-feira. No entanto, a CPMI do INSS na Câmara, antecipou sua oitiva para segunda-feira, numa clara manobra para tomar a dianteira.

De acordo com Mônica Bergamo, os focos dos depoimentos serão muito diferentes. Na Câmara, o acordo prevê que Vorcaro fale exclusivamente sobre o escândalo dos descontos indevidos em aposentadorias do INSS.

"Ele deve dizer que tem pouco a ver com isso, que o banco operava pouco com isso, enfim, deve dar poucas respostas", avalia a jornalista.

A expectativa de maior tensão, no entanto, está no Senado. Na CAE, Renan Calheiros pretende ampliar o escopo das perguntas para além do INSS, mirando as relações de Daniel Vorcaro com figuras do Centrão.

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"A expectativa é que o senador Renan Calheiros faça perguntas sobre isso e traga essas figuras para a cena", destacou Bergamo.

A colunista apurou que Calheiros tem informações sobre uma suposta pressão exercida pelo deputado Arthur Lira (PP-AL) no Tribunal de Contas da União (TCU) para reverter a liquidação do Banco Master. A intenção seria trazer esses nomes para os holofotes.

A relação com Dias Toffoli

Outro ponto que deve ser explorado nos depoimentos é a relação de Vorcaro com o ministro do STF Dias Toffoli. Um relatório da Polícia Federal, encaminhado à Corte, cita mais de dez encontros entre o banqueiro e o magistrado em um período de dois anos.

O pano de fundo da questão é a compra, por um fundo ligado ao Banco Master, de participações societárias que Toffoli detinha em um resort. A transação comercial levantou questionamentos sobre a imparcialidade do ministro para julgar casos envolvendo o banqueiro, levando-o a se declarar suspeito.

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Para Mônica Bergamo, o problema central não é o número de encontros, que podem ter ocorrido em eventos públicos e institucionais, mas a relação de negócios estabelecida.

"Era um tipo de relação que evidenciava uma situação na qual todo mundo entende, ou a maioria do Supremo também entendia, que ele deveria ter se declarado suspeito", explicou.

A situação coloca uma pressão inédita sobre um membro da Suprema Corte, como observou o âncora Luís Megale. "Exatamente por ser essa proteção das instituições, ele [o Supremo] próprio precisa se proteger. E aí o comportamento dos ministros tem ido exatamente na contramão dessa lógica", afirmou, ressaltando que, embora o STF tenha tido méritos na defesa da democracia, seus membros devem explicações por serem figuras públicas.

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