Mudanças climáticas alteram características tradicionais das estações
O desequilíbrio afeta desde o cotidiano nas cidades até a segurança do planejamento no campo
As mudanças climáticas globais e a atuação de fenômenos como o El Niño estão alterando de forma expressiva as características tradicionais das quatro estações do ano no Brasil. O desequilíbrio afeta desde o cotidiano nas cidades até a segurança do planejamento no campo.
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De acordo com levantamentos do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri) da Unicamp, o comportamento térmico e pluviométrico do país passou por transformações mensuráveis nas últimas décadas. No centro do território nacional, as noites de inverno tornaram-se visivelmente mais quentes.
Outra mudança sensível ocorreu no regime de precipitações. O período de chuvas, que historicamente iniciava em setembro na década de 1980, passou a se concentrar nos meses de outubro e novembro. Paralelamente, os períodos secos prolongaram-se de maneira considerável.
Intensificação das ondas de calor
Para a meteorologista da Unicamp Ana Maria de Ávila, a incidência cada vez maior de ondas de calor intensas e frequentes está diretamente relacionada aos efeitos acumulados do aquecimento global.
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O cenário meteorológico recente também registrou anomalias marcantes devido à forte influência do El Niño. O fenômeno provocou a chegada antecipada das chuvas na região Sul do país, acentuando a desregulação nas transições entre as estações.
Com o ritmo da natureza visivelmente alterado, o calendário tradicional seguido por quem depende diretamente do clima enfrenta sérios desafios. O reflexo disso aparece na alternância atípica entre calor no inverno, frio fora de época e temporais destrutivos.
Estratégias e adaptação no campo
No setor agropecuário, o erro na escolha da janela de plantio pode custar uma safra inteira aos produtores. Para mitigar esses riscos econômicos, a Embrapa reuniu 163 medidas práticas voltadas a sete segmentos produtivos.
