Morte em rope jump: instrutor diz não lembrar quem deveria checar corda
O responsável pela atividade afirmou que atua na área há alguns meses e que o grupo se reunia com frequência no município do interior paulista

Um dos instrutores presos que era responsável pela prática de rope jump na Ponte do Esqueleto, em Sumaré (SP), prestou depoimento à Polícia Civil para detalhar a dinâmica do acidente fatal que vitimou uma jovem de 21 anos, no último sábado (13).
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No interrogatório, o homem descreveu o episódio como uma fatalidade e afirmou ter dificuldades para compreender as causas da falha que resultou na queda livre da vítima. O responsável pela atividade afirmou que atua na área há alguns meses e que o grupo se reunia com frequência no município do interior paulista.
Atividade funcionava sem registro empresarial
Durante o interrogatório com os policiais civis, o organizador revela que o negócio funcionava sem CNPJ ou qualquer registro empresarial. De acordo com o depoimento, a atividade mostrava-se lucrativa e o grupo esperava realizar entre 80 e 90 saltos apenas no dia da tragédia.
Cada participante pagava o valor de R$ 180 por salto. O organizador oferecia ainda um serviço adicional de filmagem com câmera 360° e edição de vídeo por mais R$ 110.
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Investigação aponta falhas na segurança
O ponto central da investigação policial concentra-se nos procedimentos de segurança e na montagem do cabeamento. O organizador explica que a instalação e a conferência dos equipamentos eram divididas entre ele e outro instrutor. Segundo o depoimento, o protocolo padrão do grupo previa um sistema de verificação mútua, no qual um instrutor colocava as cordas e o outro conferia os nós e as amarras.
O organizador alega ter vasta experiência e treinamento técnico na montagem desse tipo de estrutura de aventura. No entanto, ao ser questionado pelos policiais sobre o momento exato que antecedeu o salto fatal da jovem, o homem alega um lapso de memória e não sabe detalhar quem manuseou os cabos por último.
"Eu passei lá para frente primeiro... depois disso já apagou da mente, não lembro. Não consigo me recordar se a responsabilidade era minha ou dele", afirma o organizador em trecho do depoimento.
A Polícia Civil mantém o inquérito aberto e colhe novos depoimentos para apurar as responsabilidades criminais pela morte da jovem. Os peritos institucionais analisam o material apreendido na Ponte do Esqueleto para identificar o ponto exato de ruptura ou desprendimento dos mosquetões e das cordas de nylon utilizadas na atração.
