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Nepal e Tibete ficam em alerta pelo risco de nova avalanche em lago glacial

Desastre de quarta-feira provocou formação de lagos e barreiras de detritos que também podem romper

4 min

27/08/2026 15:01 • Atualizado há 4 dias

Nepal e Tibete ficam em alerta pelo risco de nova avalanche em lago glacial

O Nepal e o Tibete, no sudeste asiático, emitiram alertas urgentes diante da ameaça iminente de novos transbordamentos de lagos glaciais que se formaram na região fronteiriça do Himalaia. A região ainda tenta recuperar-se das catastróficas inundações de quarta-feira (26), que devastaram vales montanhosos e deixaram até agora mais de 350 mortos e mais de mil desaparecidos.

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A preocupação principal reside em dois lagos de barreira formados devido ao colapso de detritos em lados opostos da fronteira. No lado nepalês, a autoridade de gestão de desastres informou que um lago criado pelo bloqueio de um rio no local da inundação continua a subir de nível e corre risco iminente de transbordar.

As autoridades apelaram aos moradores das margens inferiores, às equipes de salvamento e a passageiros que exerçam cautela redobrada e permaneçam longe das margens dos rios e de áreas de risco. Diante do risco elevado, algumas equipes de resgate no Nepal já começaram a se deslocar para terrenos mais altos.

Do lado chinês, no Tibete, a ameaça é igualmente crítica. A China alertou que cerca de 3 milhões de metros cúbicos de água --o equivalente a cerca de 1.200 piscinas olímpicas-- deverão fluir nos próximos três dias para um lago já represado sob seu território. Imagens aéreas obtidas por equipes de resgate mostram grandes volumes de água acumulados e pressionando uma barreira natural de pedras e detritos.

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Pesquisadores do Ministério de Recursos Hídricos da China alertaram que o volume de água e o risco de rompimento continuam a aumentar, com a previsão de novas chuvas para a próxima semana agravando ainda mais a situação. O pico de vazão é esperado por volta do dia 1º de setembro, a próxima terça-feira.

Balanço da catástrofe

A catástrofe de quarta-feira teve origem no colapso maciço de uma geleira nas encostas do pico Langtang Lirung, no Nepal, gerando uma avalanche monumental de rocha, gelo e lama que atingiu o rio Lhende Khola no Tibete. O impacto do desabamento foi de tal forma violento que gerou um tremor sísmico registrado pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) com magnitude de 5,2.

A enxurrada desceu com velocidade e força descomunais pelos rios Lhende, Bhotekoshi e Trishuli, destruindo infraestruturas, estradas e soterrando vilas inteiras sob camadas espessas de lama. Além das morte, no Nepal, as autoridades chinesas confirmaram três mortes no Tibete. Contudo, há temores de que estes números aumentem drasticamente à medida que as buscas prosseguem pela lama espessa.

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Mais de 900 pessoas permanecem desaparecidas no Nepal e pelo menos 558 no Tibete. A maior parte dos desaparecidos são turistas estrangeiros e peregrinos de diversas nacionalidades --incluindo cidadãos da Índia, Estados Unidos, Reino Unido, Canadá e Austrália-- que viajavam em direção ao Monte Kailash, um local de peregrinação sagrado.

O embaixador do Brasil no Nepal confirmou que, felizmente, não há registo de brasileiros entre as vítimas ou desaparecidos.

Crise humanitária de grande escala

A tragédia afeta de forma particularmente severa as crianças da região. Segundo informações do Unicef, mais de 17 mil crianças necessitam de assistência humanitária urgente nos distritos nepaleses de Rasuwa, Nuwakot e Dhading. Pelo menos 14 crianças morreram na catástrofe, e as sobreviventes enfrentam graves riscos de desnutrição, surtos de doenças infecciosas por falta de água potável e violência.

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A resposta de emergência está mobilizada, embora a destruição de dezenas de pontes e cerca de 40 quilômetros (25 milhas) de estradas dificulte gravemente o acesso das equipes de socorro às comunidades isoladas. Diante da gravidade da situação, vários agentes internacionais prometeram apoio:

  • O Reino Unido ofereceu £5 milhões em auxílio financeiro e propôs o envio de equipes de resgate de emergência;
  • Os Estados Unidos disponibilizaram US$ 500 mil em fundos de assistência emergencial e mobilizaram assessores de resposta a desastres;
  • A Organização das Nações Unidas (ONU) confirmou o envio de US$ 10 milhões em ajuda emergencial;
  • A União Europeia colocou à disposição o sistema de satélite Copernicus para monitorar e mapear a região, facilitando a deteção de áreas propensas a novos deslizamentos e a busca por soterrados.

Com agências internacionais

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