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Brasil

O que Vorcaro disse à PF? Veja resumo com relações políticas e econômicas

O ponto central da oitiva recaiu sobre a Tirreno, empresa que intermediou volumes expressivos de crédito consignado

4 min

24/01/2026 09:31 • Atualizado há 273 dias

O que Vorcaro disse à PF? Veja resumo com relações políticas e econômicas

Em um depoimento marcado pela defesa incisiva de seu modelo de negócio, relacionamento político e detalhes da operação do Banco Master, Daniel Vorcaro, prestou esclarecimentos à Polícia Federal no âmbito de investigações que envolvem a instituição, o Banco de Brasília (BRB) e empresas de crédito como a Tirreno.

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O depoimento, acompanhado por representantes do gabinete do ministro Toffoli e do Ministério Público Federal, revelou detalhes sobre operações bilionárias e a forte pressão regulatória que, segundo o empresário, teria sufocado a liquidez da instituição.

O depoimento detalha uma investigação sobre a emissão de Cédulas de Crédito Bancário (CCBs) potencialmente fraudulentas envolvendo as empresas Tirreno e DPI.

Durante o interrogatório, a delegada questiona a legitimidade de operações bilionárias de cessão de crédito ao BRB, apontando a ausência de lastro documental e movimentação financeira nas empresas originadoras.

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A estrutura de liquidez e a pressão regulatória

Vorcaro descreveu uma mudança drástica na estratégia do Banco Master devido a alterações nas regras do sistema financeiro. O plano original era 100% baseado na captação via Fundo Garantidor de Créditos (FGC), mas mudanças regulatórias — atribuídas por ele à pressão de grandes bancos — forçaram o Master a buscar novos meios de liquidez.

Para sobreviver, o banco migrou para um modelo de originação e cessão de ativos, que passou a representar entre 70% e 80% da captação de recursos nos meses que antecederam a crise. Vorcaro enfatizou que o banco sempre foi solvente, mas enfrentou uma crise de liquidez provocada por essa mudança nas "regras do jogo" e por uma campanha reputacional negativa.

Valores operacionais e o caso Tirreno

O ponto central da oitiva recaiu sobre a Tirreno, empresa que intermediou volumes expressivos de crédito consignado. Vorcaro destacou os seguintes valores e conceitos operacionais:

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• R$ 12,2bilhões: Valor total das carteiras de crédito cedidas ao BRB, incluindo um prêmio de R$ 5,5 bilhões.

• R$ 6,7 bilhões: Montante em carteiras de crédito que o Master teria adquirido da Tirreno.

• R$ 16,7 bilhões: Total transferido pelo BRB ao Banco Master entre julho de 2024 e outubro de 2025.

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• R$ 12 bilhões em "CCBs falsas": Vorcaro negou veementemente a prática de crime, afirmando que "não existiu fraude de 12 bilhões" e que a transação não foi concluída no balanço, permanecendo em conta transitória.

Sobre a emissão de Cédulas de Crédito Bancário (CCBs), Vorcaro afirmou que o procedimento é um rito operacional padrão para trazer créditos do mercado não financeiro para o ambiente bancário. Ele defendeu que "não existiu ação criminosa minha em nenhum momento e nem do banco", pois não teria havido vantagem para a instituição nem prejuízo para clientes.

Nomes citados e articulação política

Durante o depoimento, Vorcaro foi questionado sobre suas conexões políticas e figuras-chave na administração do banco e das parceiras:

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• Políticos: Citou o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, afirmando ter tido encontros institucionais e que o governador já visitou sua casa, mas negou qualquer "facilitação política" nos negócios com o BRB.

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• Outros Políticos: Embora admita ter "amigos em todos os poderes", ele se recusou a nominar outros deputados ou senadores que frequentavam sua casa, alegando que essas relações não têm vínculo com as investigações do caso Tirreno.

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• Executivos do Master: Nominou Luiz Antônio Bull (responsável por compliance e jurídico) e Ângelo Silva (controladoria e riscos) como os principais diretores operacionais. O tesoureiro Alberto Félix também foi mencionado.

• Parceiros e Investigados: Identificou Henrique Peretto como o dono da Cartos e criador da Tirreno, descrevendo-o como um parceiro de longa data do mercado. Citou também o ex-sócio Augusto Lima, que teria formado a equipe de consignados do banco.

• BRB e Banco Central: Mencionou Paulo Henrique, presidente do BRB, com quem tratava a "negociação macro" da fusão. Sobre o Banco Central, citou o diretor de fiscalização Ailton de Aquino Santos, com quem teria se reunido pouco antes de sua prisão.

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A Tese da "Falta de Influência":

Para rebater a pecha de influente, Vorcaro argumenta que seu status atual prova o contrário: "se eu tivesse pedido a ajuda desses políticos, eu não estaria com a operação do BRB negada, eu não estaria aqui de tornozeleira, eu não teria sido preso".

Frases de impacto e defesa

Vorcaro utilizou frases marcantes para descrever sua situação e a do banco nas fontes:

• "O Banco Master só trouxe resultado para o BRB, resultados históricos."

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• "Eu tive com o governador, sim... mas não teve nenhum tipo de questão tratada... que não fosse técnica."

• "Heroicamente... a gente conseguiu honrar todos os compromissos até aquele dia."

• "Não era para a gente estar aqui nessa sala... porque o prejuízo, no final, não foi só meu, foi do sistema financeiro.

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