Polícia apura ataques virtuais a mais de 60 alunas de escola do Rio
Adolescentes do Colégio Cruzeiro fizeram lista onde classificavam as colegas com termos sexuais

Uma investigação policial em curso no Rio de Janeiro revela um cenário alarmante de violência digital praticada por jovens contra as suas próprias colegas de escola. Pelo menos 65 meninas foram alvo de difamação e humilhação virtual através de grupos de mensagens, expondo a crescente vaga de misoginia no ambiente escolar.
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No Colégio Cruzeiro, em Jacarepaguá, estudantes criaram uma lista pejorativa e difamatória que classificava as alunas com comentários de cunho sexual. Mensagens como "comeria no lucro" ou "nem olharia" circulavam livremente entre os celulares dos adolescentes, evidenciando uma cultura de desumanização das vítimas.
A morosidade das instituições em lidar com estes casos também é motivo de preocupação. Segundo Priscila Bastos, professora e membro da Comissão de Mulheres do Sindscope, um levantamento interno revelou que os processos de assédio dentro das escolas demoram cerca de 25 meses para serem apurados. "É um tempo que a gente não pode esperar", afirmou a docente.
Responsabilidade e consequências
A Promotora de Justiça da Infância e Juventude do Rio de Janeiro, Gabriela Lusquiños, alerta que a separação entre o mundo real e o digital é inexistente e que as instituições de ensino podem ser responsabilizadas juridicamente.
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Além disso, os encarregados de educação podem enfrentar consequências legais pelo que a promotora denomina de "abandono digital", caso não adotem medidas para coibir tais comportamentos.
Este caso surge num contexto de tensão nas escolas cariocas. Há quatro meses, protestos reuniram alunos e professores do Colégio Pedro II, após dois estudantes da instituição terem sido acusados de participação num estupro coletivo em Copacabana, tendo como vítima uma colega da mesma escola.
Investigação em curso
O caso atual, que já foi denunciado em seis delegacias diferentes, está agora centralizado na Delegacia da Criança e Adolescente Vítima (DECAV), onde corre sob sigilo. Embora o Colégio Cruzeiro tenha sido um dos autores das denúncias, a escola não respondeu aos questionamentos sobre as medidas disciplinares tomadas contra os alunos acusados.
