Polícia do RJ cria força-tarefa para uso de drones contra o crime
Nova coordenadoria da Polícia Civil busca ampliar monitoramento tecnológico em áreas de conflito, enquanto facções já utilizam equipamentos para lançar explosivos

A Polícia Civil do Rio de Janeiro anunciou a criação de uma força-tarefa e de uma coordenadoria específica para intensificar o uso de drones no combate à criminalidade. A iniciativa surge como uma resposta direta ao avanço tecnológico das facções criminosas, que já adaptaram aeronaves remotamente pilotadas para monitorar agentes e, em casos mais graves, lançar granadas e explosivos contra as forças de segurança durante operações em comunidades.
Continua depois da publicidade
A nova estrutura prevê a compra regular de novos equipamentos para reforçar o estoque da instituição, que não informou o número exato de aparelhos atualmente em operação por questões de segurança. Os novos drones serão equipados com tecnologia de ponta, incluindo sensores térmicos, câmeras com visão noturna, zoom de longa distância, sistemas de reconhecimento facial e leitura de placas de veículos.
Inteligência e monitoramento em tempo real
Um dos pilares da nova estratégia é a transmissão de dados. Dependendo da complexidade da missão, as imagens captadas pelos drones no terreno serão enviadas em tempo real para uma central de monitoramento. Todo o material coletado será processado por uma seção de inteligência para auxiliar na tomada de decisões imediatas e no planejamento de futuras incursões.
De acordo com o delegado Marcos Motta, coordenador da COANT (Coordenadoria de Aeronaves não Tripuladas), a central permite a gestão completa dos pilotos e das aeronaves. "Tudo o que for produzido naquele momento vai retroalimentar esse sistema e será utilizado em operações próximas", explicou o delegado. O objetivo é criar um banco de dados georreferenciado com pontos de interesse previamente mapeados.
Continua depois da publicidade
Desafio tecnológico e regulamentação
Apesar do anúncio, especialistas em segurança pública alertam para o atraso histórico na adoção de tecnologias pelas forças policiais. O antropólogo e ex-capitão do BOPE, Paulo Storani, traçou um paralelo com a chegada dos fuzis de assalto ao Rio na década de 1980, observando que a polícia demorou cerca de dez anos para adotar o armamento de forma orgânica após o crime organizado já estar utilizando.
O Congresso Nacional discute propostas para regulamentar o uso de drones pelas polícias e Forças Armadas. Entre os temas em debate está a polêmica autorização para que o Estado também utilize drones armados em situações excepcionais de alto risco.
